segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bebendo com o Inimigo, por Sebastião Nery



            BEBENDO COM O INIMIGO   

Maio de 65. Fugidos do golpe de 64 na Bahia, um grupo de politicos, jornalistas, lideres sindicais e artistas baianos abrigou-se no colo da multipla solidariedade paulista e se escondeu no pequenino apartamento do jovem reporter da “Folha de S. Paulo”, Adilson Augusto, o Brasinha, um generoso santo de 20 anos, ali na Major Sertorio, bem em cima do João Sebastião Bar.


 Não era bem um apartamento. Era um quarto de pensão com saleta e banheiro, A Mansarda, no sótão de velho casarão de tres andares, as escadas gemendo e o boliche (depois, Lalicorne) fazendo barulho a noite inteira.
 Houve tempo em que dormiam doze, empilhadas pelo chão, obrigando às vezes o dono da casa, que saia do jornal de madrugada, a dormir na escada para não desalojar “os hóspedes”, como só teria feito São Francisco de Assis.
Estamos todos ainda por aí : Mario Lima deputado e líder petroleiro baiano, Helio Duque depois deputado pelo Paraná, Domingos Leonelli depois deputado pela Bahia, Luis Gonzaga depois presidente do MDB de Londrina, José Carlos Capinam o gênio de Soy Loco por Ti América, o publicitario Lamego, eu com meu mandato de deputado pela Bahia cassado, e outros.
 Com barbas improvisadas, nomes falsos, identidades forjadas, fazendo biscates em jornais, revistas, livrarias, cada um lutava entre sustos para não ser apanhado antes de livrar-se do IPM e das prisões preventivas decretadas.  
Uma noite, aniversario de Mario, fomos todos comemorar no Pilão, saudoso botequim no subsolo de uma galeria entre a 7 de Abril e Itapetininga. Somadas, nossas penas passavam dos 100 anos. E ainda havia os amigos : Antonio Torres o grande romancista de agora, Nelito Carvalho o cronista, etc.
Chegamos discretos, fomos para um canto, pedimos modestas batidas. Ao violão, em vez da crooner de sempre, a loura e meiga Marilu, um senhor de terno e gravata, voz poderosa, melhor do que a de Roberto Jefferson. Aplaudimos.Veio para nossa mesa, pediu um litro de uísque, tira-gostos, tocou e cantou tangos e boleros a noite inteira, recitou poemas, pagou a conta toda.
     
Manhã  cedo, fomos todos embora. No dia seguinte, na primeira página da “Folha”, lá estava ele, nosso bondoso anfitrião. Era o Delegado Geral do DOPS. Se soubesse, podia ter feito a feira conosco. São Paulo é São Paulo.           PAULO CUNHA

A Ceagesp, a Central de Abastecimento de São Paulo, ainda na capital mas a caminho de Osasco, até há pouco era um latifundio eleitoral do ex-deputado João Paulo Cunha, que nomeou o ex-presidente Valmir Prascidelli.

 O diretor de Abastecimento era Ademir Pereira, irmão do Silvio Pereira, a quem o Papai Noel da Bahia deu um Land Rover zerinho. O diretor Financeiro era, e não será mais, Luciano Belloque, nomeado por José  Dirceu.
     
Ninguem sabia que o PT tinha tantos ruralistas. É por isso que, flagrado em Congonhas com R$200 mil na mala e US$100 mil na cueca, o cearense dos Genoinos disse que o dinheiro era da venda de alface na Ceagesp. Qualquer malandro de cais sabe que, no crime, “alface” quer dizer “dólar”.
    
Deve ser por obra e graça das “alfaces” da Ceagesp que o colunista Merval Pereira, do Globo, contou que “João Paulo Cunha e o Professor Luizinho tomavam porres de licor no Antiquarius, no Rio” (o mais caro).
                                                                                            OSASCO
  Osasco virou matriz de uma interminavel cadeia de misterios. Da Cegesp para o Lixo. No “Estado de S. Paulo”, Ricardo Brandt conta:
     - “Financiador do PT em Osasco Aparece no Escândalo do Lixo – Dos R$742 mil recebidos pelo diretorio municipal do partido durante a campanha de Emidio, R$650 mil vieram da Qualix – A empresa de lixo Qualix Serviços Ambientais, investigada por irregularidades na contratação dos serviços de varrição de lixo em São Paulo, foi a maior doadora do diretorio municipal do PT de Osasco, em 2004, na campanha do prefeito Emidio de Souza. A Qualix detem os serviços de lixo na cidade e teve seu contrato aditado em junho. A empresa doou ainda outros R$100 mil diretamente à campanha do prefeito”.


 Na CPI do Mensalão, no Congresso, o ET de Varginha Marques Valério disse que parte dos R$4 milhões enviados por ele para a direção nacional do PT foram para as campanhas de Osasco e São Bernardo. O candidato do PT em São Bernardo foi o Dr.Vicentinho, derrotado. A alface deve ter sido pouca.
                                                                                               SUPLICY
     O incansável senador Suplicy passou anos exigindo dos governos Fernando Henrique que o Banco Central revele o nome dos 600 proprietarios, jurídicos e individuais, da Divida Interna, que, segundo o governo, acaba de chegar a R$1 trilhão. Hoje sabe-se que são ainda menos : 420.
     Eleito Lula, Suplicy esqueceu. Não faça isso, senador, com os  eleitores. Volte ao apelo. O senhor é dos raros que restaram no naufrágio do PT.    
                                              DIRCEU
     A garotada se diverte na Internet:
     - Inteligente foi Fidel Castro. Segurou José Dirceu seis anos treinando lá em Cuba (de 69 a 75) e nunca deixou que ele voltasse para entrar em guerrilha nenhuma no Brasil. Teria feito tanta lambança que não sobrava ninguem.
                                                                 PSDB E PT
     O PSDB é a UDN da USP. O PT é a UDN de Macacão.
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                              QUEIMADO
                              NA PRAÇA  
     No meio da praça do “Campo dei Fiori”,  em Roma, cheia de flores, frutos e “finestras” (janelas), com seu mercado aberto e a milenar arquitetura das antiquissimas hospedarias medievais, estou vendo Giordano Bruno, de pé, na estátua negra, denúncia eterna de todos os fundamentalismos:
     - “A Bruno, il Secolo da Lui Divinato, Qui, Dove il Rogo Arse”  (“A Bruno, o Século por Ele Profetizado, Aqui, Onde a Fogueira Ardeu”).
     Nascido em 1548, em Napoles, Giordano Bruno entrou na Ordem dos Dominicanos com 17 anos, ficou lá 10 anos, ordenado padre e doutorado em Teologia. Acusado de heresia, deixou a Ordem e foi ensinar no norte da Itália. Perseguido, refugiou-se na Suíça, França, Inglaterra, Alemanha, Alemanha, voltando a Veneza, onde foi preso pelo Santo Oficio.
     A pedido do Papa, as autoridades de Veneza o entregaram ao tribunal da Inquisição de Roma, onde ficou sete anos encarcerado, negando-se a retratar-se de suas doutrinas e, afinal, é queimado vivo no Campo dei Fiori, em 1600.
                                          *** 
     Durante tres semanas, em Roma, 252 bispos de 118 paises se reuniram com o Papa no que foi chamado de “O Sínodo da Restauração”. “Nem abertura nem reformas. O objetivo é a restauração”, diz o jornalista Juan Bedoya, do “El Pais”, que cobriu o Sínodo.
     O Papa Bento XVI, com apenas seis meses de pontificado, pediu aos bispos “propostas concretas para refazer ou retificar o que numerosos prelados chamam, sem meias palavras, de excessos e desvios do Concilio Vaticano II”, que faz 40 anos no Natal.Os bispos deram. Depende agora de o Papa aprovar.
     Citando São Paulo e partindo do verbo grego “catartizesthe” (refazer, reparar um instrumento, restituir sua função total), Bento VI, que no Concilio era um jovem teólogo progressista, com propostas reformadoras, diz agora: 
     - “O objetivo hoje é voltar à perfeição. A tarefa para os apóstolos é a de refazer uma rede que já não está justa, que tem tantos furos que já não serve”.
                                             ***
         O Sinodo disse vários “não” a problemas que dividem a Igreja:
     1. – O primeiro foi manter o celibato obrigatório dos padres. O cardeal colombiano Castrillon, responsável pela Congregação do Clero, pediu ao Papa que use seu “carisma de pedra” para fechar essa porta de forma definitiva. Também não haverá ordenação sacerdotal de mulheres. E ponto final.
     2. – O Sínodo também disse “não” a dar a eucaristia, deixar comungar, a pessoas divorciadas ou separadas que voltem a casar. O tese do relator do Sínodo, indicado pelo Papa, o cardeal patriarca de Veneza, Ângelo Scola, é que “a comunhão não é um direito, é um dom”, e que “os fieis que rompem o casamento, por dolorosas que sejam as circunstancias, não podem ser admitidos à comunhão”. O cardeal espanhol Julian Herranz, presidente do  Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, protestou, dizendo que “a eucaristia é um direito fundamental do cristão”. Pediu paciência ao Vaticano.
                                          ***
     3. – Outro “não, expresso pelo substituto do Papa na Congregação para a Doutrina da Fé (a antiga Inquisição), o norteamericano William levada, é “contra os políticos hipócritas que se dizem cristãos em particular e, em publicoi, desobedecem as doutrinas morais que a Igreja considera básicas”.
     4. - O Sinodo “aposta mais na unidade interna e na obediencia ao Papa do que em estreitar laços com seus irmãos separados : protestantes, luteranos, anglicanos, ortodoxos” : - “Não pode haver união sem unidade no governo eclesial”, diz o cardeal Ângelo Soldano, o Secretario de Estado, vice do Papa.
                                       ***
     5. – Muitos bispos também se manifestaram contra a “intercomunhão” (admitir a comunhão para os cristãos não católicos, os evangélicos). O bispo da Igreja Anglicana, John Hind, ali como convidado, não gostou e lembrou que há apenas seis meses, em abril, o então cardeal Rtzinger, comungou junto com o evangelico Roger de Taizé, fundador, em 1940, na Borgonha francesa, de uma famosa comunidade ecumênica, e a quem o papa João Paulo II deu a comunhão tres anos atrás. Em 16 de agosto, um louco matou Roger de Taizé.
     6. – Outro grande debate do Sínodo foram as “retificações conciliares”, sobretudo a respeito da missa. Querem “acabar com os erros, exageros e experiências de padres que descuidam das cerimônias e permitem cantos e danças não adequadas nas igrejas”. O cardeal Scola negou que se trate de voltar ao latim, como era antes do Concilio,  O bispo de Coimbra, Albino Mamede”, explicou : - “Não basta ter o alimento, é preciso saber pôr a mesa”.
                                          ***   
     Longe dali, em Paris, em um livro desassombrado (“Mon Dieu, Pourquoi”? - “Meu Deus, Por Que?”), o venerando Abbé Pierre, 93 anos, fundador da Comunidade de Emaus e todo ano eleito a personalidade mais popular e querida da França, discute o sexo na Igreja, defende o casamento dos padres, o sacerdocio das mulheres. Mostra que só o fim do celibato acaba com a pedofilia na Igreja. Confessa que teve “relações sexuais com mulheres de maneira passageira e não regular”. E celebra o amor de Jesus e Madalena.
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                   LEMBRANÇAS
                       DE JUSCELINO

                               

      “Tres dias antes de morrer, Juscelino viera de sua fazendinha em Luziania e pernoitara no apartamento do primo Carlos Murilo, em Brasília. Estava triste e deprimido por tantas injustiças e perseguições, e fez a esse seu primo e meu xará a seguinte confissão que, autorizado por ele, agora, pela primeira vez, vou revelar :
      - “Meu tempo, aqui na terra, está acabado. Tenho o quê, de vida? Mais dois, tres ou cinco anos? O que eu mais quero agora é morrer. Não tenho mais idade para esperar. Meu único desejo era ver o Brasil retornar à normalidade democrática. Mas isso vai demorar muito e eu quero ir embora”.
      Estava sem dinheiro e tomou 10 mil cruzeiros emprestados. Tendo Ulysses Guimarães e Franco Montoro como companheiros de vôo, viajou para São Paulo e desceu em Guarulhos, porque o aeroporto de Congonhas estava fechado. Ficou hospedado na Casa da Manchete, em São Paulo”.
                                       ***
     “No dia seguinte, JK despediu-se de Adolfo Bloch, que depois revelava:
      - “Ele deu-me um abraço tão forte e tão prolongado que parecia estar adivinhando ser aquele o nosso ultimo encontro. E chegou a mostrar-me o bilhete da Vasp, como prova da sua viagem, naquela noitinha, para Brasília”.
      E morreu dormindo. Mas, desde a véspera, havia telefonado para seu fiel motorista, Geraldo Ribeiro, pedindo-lhe que fosse a São Paulo busca-lo de carro, e marcando um encontro no posto de gasolina, quilometro 2 da Dutra.
     Pergunta-se hoje : por que Juscelino estava despistando e escondendo a sua real intenção de não ir para Brasília e sim de retornar ao Rio? Não queria que dona Sarah soubesse?  Seria algum encontro amoroso?
     E era”.
                                     ***
     Esta é uma das muitas, numerosas historias contadas pelo veterano jornalista e acadêmico Murilo Melo Filho (nasceu em Natal, com a revolução de 30), com mais de meio século de redações, em seu ultimo livro, “Tempo Diferente” (primorosa edição da Topbooks, breve nas livrarias) sobre 20 personalidades da política, da literatura e do jornalismo brasileiro:
     - “Aqui estão contadas historias reais e verazes, acontecidas com tantos homens importantes no universo literário e político do pais, que viveram num tempo diferente” : Getulio, JK, Jânio, Café Filho, Lacerda, Chateaubriand, Tristão de Athayde, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade, Celso Furtado, Evandro Lins, Austregésilo de Athayde, Guimarães Rosa, Jorge Amado, José Lins do rego, Rachel de Queiroz, Raimundo Faoro, Roberto Marinho, Carlos Castello Branco, Otto Lara Rezende.
     Agora que Lula, com a água no queixo, agarra-se à memória de Juscelino como a um tôco na água, e, nesta semana em que ele faria 103 anos, segunda-feira, dia 12, e a imprensa e sobretudo a televisão quase o esqueceram, é bom relembrar outras historias contadas pelo depoimento de testemunha de Murilo, no capitulo “JK, do Seminarista ao Estadista”.
                                 ***
     - “Eu era então (em 56) chefe da seção política da “Tribuna da Imprensa”, jornal de oposição, dirigido por Carlos Lacerda, que movia feroz campanha contra JK. Apesar disso, ele sempre me distinguiu com especial atenção e, na sua segunda viagem a Brasília, me convidou para acompanha-lo.
     Saímos do Rio num Convair da Aerovias-Brasil e aterrissamos numa pista improvisada, perto do Catetinho, que tinha sido inaugurado no dia 1o de novembro. Às quatro horas da madrugada do dia seguinte, ainda noite escura, JK já estava de paletó esporte, camisa de gola rolê, chapéu de aba larga, botinas e um rebenque, batendo à porta de nossos quartos, e convidando-nos para irmos com ele visitar as obras de Brasília, naquele imenso descampado :
     - Aqui será o Senado, ao lado da Câmara, mais adiante os Ministérios. No outro lado, o Supremo e o palacio do Planalto, onde irei despachar”.
                                ***
      - “Naquela nossa primeira noite em Brasília, após um dia de calor escaldante, os engenheiros estavam na varanda do Catetinho, em torno de uma garrafa de uísque, que era bebido ao natural, isto é, quente, porque em Brasília não havia ainda energia eletrica e, portanto, não havia gelo, que era artigo de luxo. Juscelino, presente, comentou :
      - Vocês sabem que eu não gosto de uísque. Mas que uma pedrinha de gelo, aí nos copos, seria muito bom, seria.
      Nem bem ele acabou de pronunciar essas palavras, o céu se enfaruscou e uma chuva de granizo despencou sobre aquele planalto, levando os boêmios candangos a aparar as pedras, jogar nos copos e tomar uísque com gelo”.
      Era o primeiro milagre de Brasilia.
                                 ***
      E este bilhete de Adolfo Bloch a Murilo, já na “Manchete” em Brasília:
      - “Murillo, ai vai esta lancha para você fazer relações publicas no lago de Brasília. Não faça economia em relações publicas. Nós, os judeus, perdemos o Cristo por falta de relações publicas. E fizemos um mau negocio, porque um homem como aquele não se perde”.
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domingo, 11 de julho de 2010

meus feedburner - Pesquisa Google

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Mordomo do Incredmail

O único mordomo que tenho é o do incredmail. E chato pra cacete, toda hora aparece na tela e diz: "vc tem uma nova msg, senhor". Eficiente, mas chato!

Pomposo nome: ESPAÇO UNIBANCO GLAUBER ROCHA

Ter nascido no mesmo dia e mês em que castro Alves nasceu era motivo de orgulho para Glauber. Coincidentemente o borbulhar do gênio foi perceptivel em ambos.

Glauber pode ser revisto antes e depois do exílio. Seus relacionamentos conjugais não foram bem sucedidos. Todo homem tem uma Eugênia Câmara na vida e morre, quase sempre, intimamente, quando quer responder a pergunta que não cala: que quer uma mulher? Popularmente diz-se que "mulher gosta de dinheiro, quem gosta de pica é veado". Mas a resposta não seria esta.
A solidão foi sua companheira em diversos momentos. Entediava-se com os seus monologos, idéias e planos represados. Não havia internet. Telefonemas custavam muito e Glauber andava economicamente fodido. Escrevia como que busca dialogar e fugir do vazio torturante da solidão . Suas cartas quase sempre estão embriagadas de ilusões, principalmente no terreno da política. Queria ser governador e o mundo girava em torno dele a da geração MAPA/Jogralesca, que, diga-se de passagem, é composta por figuras de proa da intelectualidade baiana. Também aspirava ser ministro de Estado em meio a outros tantos devaneios. Dizem que a genialidade faz fronteira com a loucura e todo gênio tem que ser codimentado por acessos de loucura.
Compreendido por uns, incompreendido por outros, vítima da direita e de certos setores de esqurda, ele parecia não se deixar abalar. Rompia o silêncio atormentador que a solidão lhe impunha escrevendo cartas, quase sempre com bafejos do que ele mais condenava que é a bajulação. Ele sabia que era imperativo à sobrevivência dele afagar o ego de quem detinha qualquer dose de influência e poder.
Considerava-se um revolucionário e foi, realmente. A caracteristica principal era a irreverente rebeldia. Tinha que conviver com suas contradições. Cinema não comercial não rende e a liberdade de Glauber era tão imensa quanto as verdades que muitas vezes era obrigado a silenciar e, quando assim não fazia, provocava desconforto para uns e contentamento para outros. Irreverentemente divertido. Cheio de sonhos e ilusões, como o poeta Castro Alves. Romântico sem querer parecer que era. Teve suas paixões e a única que lhe correspondia era a sua arte. 
A solidão leva o pensamento ao monologo depressivo, entediante, desastros. Para fugir, sentia necessidade de escrever e de se corresponder. Não podia aprisionar seus monologos nem eterniza-los, pois a eternização deles seria a conivente aceitação da loucura.
Joca, João Carlos Teixeira Gomes, era pra ele um confidente. Um ser que lhe compreendia e correspindia e que falava a linguagem do gênio, comedidamente, é verdade, mas do mesmo modo, irreverente e irônico.
Os dramas pessois de Glauber não podem ser avaliados pelo que escreveu, mas pelo que não deixou escrito. Ele queria ser sincero, absolutamente honesto, mas sabia que seria ingênuo se assim fosse. Logo seria intelectualmente castrado e não poderia fazer florescer sua obra. Então tinha que conviver com suas próprias contradições, o que o deixava agoniado, irriquieto. Em sua cabeça borbulhava idéias mirabolantes que logo eram frustradas pela realidade. Fez o que pode, enquanto pode. Aos poucos, de ilusão a ilusão, ia se desencantando, ainda que não revelasse explicitamente seu desencanto com a vida. Antevia a própria morte e pedia a Joca que escrevesse um epitafio para ele, no Jornal da Bahia, caso viesse a falecer.
A sua morte causou consternação e muita gente se perguntava: morreu de quê? E esta interrogação nunca foi correspondida e devidamente aceita. Entretanto, todos preferiram sepultar a pergunta e aceitar a realidade da morte e a imortalidade dele, através das suas obras.
Hoje é desalentador ver o antigo Guarani, que virou Glauber Rocha, ser precedido pelo nome ESPAÇO UNIBANCO, o que prá ele seria uma capitulação,dos amigos revolucionários, ao mundo capitalista. 

Criaram o Espaço Unibanco e emprestaram seu nome a obra restauradora.O mérito restaurador é indiscutivel. Mas quem investe quer retorno, até para justificar a manutenção do cinema, que virou "espaço". Glauber que se dizia cósmico, tornou-se mero espaço. Nem o epitáfio que desejou, após a morte, lhe colocaram: É um espaço capitalista de entretenimento, que busca o retorno de um investimento, retorno que Glauber não tinha, vez que sua arte não era comercial. Aonde estiver, deve estar puto da vida. Pior: não pode mais corresponder-se com seus amigos para reclamar o acinte. Do ponto de vista capitalista, o UNIBANCO nada fez de errado. Como filantropia, enquanto filantropia, melhor seria que a mão esquerda não visse o que a direita faz. Mas todos viram e calaram, como tudo o mais que acontece no mundo cultural baiano. Aqui é a terra dos negócios e dos negociantes. Até quando, só Deus sabe!


Façam uma busca no Google e vejam como o nome do cinema é apresentado: 

Salvador - Unibanco Cinema ou Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha. Como o baiano gosta de abreviar nomes longos, o cinema vai virár UNIBANCO simplesmente. Se invertesse e colocassem: Cine Glauber Rocha, Espaço Unibanco, eu até aceitaria. Mas quem vai reclamar de um banco que muita gente precisa quando apresenta seus projetos ? dependência é foda, pior é submeter-se e depois sair por ai com pose de bacana.São os vícios da cultura, ou a cultura dos vícios. Pouco importa, a dependência é uma só e é rídicula porque persiste. Piora quando o dinheiro público patrocina tudo, principalmente as mercadorias das elites, como artigos populares. 



Não daria pra ser Jornalista



Não poderia ser jornalista por diversas razões. A mais importante seria a de não poder expressar meu pensamento responsável livremente, tendo que vê-lo censurado, por conveniências de donos de jornais, que vivem dependentes de variados recursos financeiros Faturam às custas dos jornalistas, que por sua vez devem atender a uma linha editorial hipócrita.

Jornalista que conhece muito sobre os donos de jornais, ou sobem institucionalizados, ou caem penalizados. Os bajuladores, que se comportam como vaquinhas de presépio, ou ficam estagnados na carreira, ou ascendem a posições de comando. 
E aquela história do jovem jornalista, afilhado de um importante político, que foi recomendado ao dono de um grande jornal carioca. A entrevista foi rápida e caceteira. O dono do jornal disse ao jovem que fizesse uma redação sobre Jesus Cristo e voltasse na semana seguinte. O jovem, antes de sair, fez uma única pergunta: - o senhor quer que eu fale contra, ou a favor? Saiu de lá contratado. 
Nem sempre é assim, mas assim me parece. Também tem o aspecto da concisão, que acaba transformando a informação em algo muito sintético, acadêmico e pedante.Gosto, por exemplo, do estilo prolixo de Caetano e do estilo bonito, de João Ubaldo. Não teria graça alguma ler Caetano, João Ubaldo, Joca e tantos outros, de modo sintético, ou acadêmico.
Eu, particularmente, não aspiraria ascender a uma posição de mando para não me converter exatamente naquilo que nunca desejei ser, ferindo minha ética e rasgando meus princípios, em troca de um posto que melhor seria ocupado por quem tem o tino, ainda que enrustido,  para anular-se. Também é triste ver um libertário convertendo-se em censor. Sujeições da vida ? C´est la vie !
Glauber em suas invocações, típicas da geração MAPA, recomendava a Joca que revolucionasse o Jornal da Bahia, naquela época anti carlista, contratando jovens para o exercício jornalístico. A juventude é excelente porquanto pura e avessa à hipocrisia e os comedimentos típicos dos mais experimentados. Na verdade Glauber queria dizer: Joca, ponha vários Glauber por ai! Maturidade se adquire com o tempo; Não a maturidade fisiológica e oportunista que acomete os vaidosos. Seria, realmente, ótimo se os jovens pudessem ser o que são e dizer o que entendem ser necessário dizer, falando o linguajar do povo, não das elites. Seria fantástico ler um jornal que primasse pela liberdade de opinião do jornalista. Mais os jornais possuem filtros...
Pra mim não daria certo escrever coisas do jeito que as nossas elites gostam, principalmente a elite baiana, tão ridícula, quanto provinciana. Basta recordar o que Castro Alves escreveu, através de carta, a Eunápio Deiró, quando este o convidou para escrever em seu folhetim.

Louvar o que bem merece e não ignorar, nem jogar debaixo do tapete, as sujeiras de quem quer que seja, deveria ser um ideal de todo jornal que se preza, mas não é assim. Saber disso não me faz bem. Esconde-se a sujeira de quem paga o que o jornal precisa, e divulga-se notícias de quem nada tem a oferecer. Várias vezes observamos jornais e não jornalistas, chantageando o poder para dele favorecer-se. Jornais endividados até o pescoço que, para manter o ganha-pão dos donos, vende-se, negocia, barganha e no final, tudo bem Preza-se mais o lucro do comércio das noticias e dos negócios, que a honorabilidade da empresa, e, quando as finanças vão mal, faz-se acordo até mesmo com o Diabo.Não daria certo, pra mim. Logo seria demitido e teria dificuldades para arrumar um novo emprego. Escrever a verdade permitida pelos fatos nem sempre é possível quando a verdade dos fatos incomodam os que aferem lucros aos donos de jornais.

Reconheço o jornalismo como a arte do equilíbrio e o jornalista é como um bêbado querendo manter-se na linha de equilíbrio, entre ele e o jornal.

Ser jornalista é como ser ator: tem que representar seu papel, sem se deixar corromper. Tem que caminhar sobre o fio da navalha. Não pode escorregar. E duro!

Bons tempos foram os do Correio da Manhã, com Niomar Moniz Sodré, mulher altiva, e que tinha em seus quadros um Carlos Heitor Cony a escrever verdades que incomodavam os ditadores. 
Mas essa era uma outra época que exigia coragem e altivez, tanto dos donos de jornais, quanto dos jornalistas, que sabiam qual seria o destino final dos jornais, que não se curvavam, diante do poder. Sabiam, os jornalistas, que haveriam que pagar um alto custo por defenderem a liberdade de expressão e, ainda assim, muitos não se renderam e, talvez por assim serem, tenham chegado aonde chegaram. Era o tempo em que as pessoas abraçavam causas com amor, tempo em que havia muitas reservas morais neste país continental. A ditadura prejudicou muito o jornalismo, em meu entendimento.

Definitivamente não daria pra ser jornalista, porque não tenho uma alma acomodada. Como Hamlet, ainda que preso dentro de uma casca de noz, meu pensamento seria infinitamente vasto e maior que as barreiras impostas.

Enfim, ser jornalista, principalmente na Bahia, que continua tão dessemelhante, com tantos negócios e tantos negociantes, não daria certo. A vontade é de soltar o verbo e desnudar tantas mazelas, mas isso me causaria bem e também um mal. Sei que não mudaria muita coisa. Apenas teria que pagar o elevado preço de preservar minha liberdade de opinião intacta.

Mas, se assim me ocorresse, de nada reclamaria, nem buscaria ajuda em sindicato. Calado seguiria minha jornada, contente e feliz, como os seres que possuem alma apaziguada.
Enfim, só a verdade é que liberta! O preço da minha liberdade seria o mesmo de quem experimentou viver na miséria.



sábado, 10 de julho de 2010

Lily Marinho: “Só faço almoço para a Dilma. Para os outros, não”


Dilma, em seu discurso de improviso, após a fala de Lily, foi uma grata revelação, para comentário geral. Falou com domínio dos assuntos, segura de si e das palavras, com simpatia e sorrisos, porém sem perder a firmeza que a caracteriza. Discorreu sobre a situação da mulher, lembrando que “nenhuma brasileira discute se o Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência — o Brasil sabe que está preparado”. Enalteceu as mulheres anônimas, as “heroínas” do cotidiano. Lembrou o salto dado pelo Brasil nos últimos anos: “Pensem em 2010 e olhem para 2002 e percebam como este país é diferente hoje”. E continuou: “É diferente porque 24 milhões saíram da pobreza e 31 milhões foram elevados à classe média”. Enfatizou a importância da educação — “faremos um imenso esforço por ela” — lembrando a importância de se valorizar o professor: “Não é prédio, não é banda larga, é também. Mas é sobretudo o professor”. E mais: “A educação é a conquista do futuro deste país”.
                                                   Lula e Dilma

“Ela fez um progresso extraordinário”, comentou uma de nossa mesa. Fiquei na dúvida se Dilma realmente fez progressos ou se éramos nós que, até então, desconhecíamos seus talentos de sedução e de oratória. Éramos 12 àquela mesa. A homenageada à direita da anfitriã. A economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a cineasta Lucy Barreto, a museóloga Magali Cabral, mãe do Sérgio governador, Consuelo, a mãe do prefeito Eduardo Paes, Maria Lúcia Jardim, mulher do vice Pezão, Marcela Temer, mulher do deputado vice na chapa de Dilma, Andréa Agnelli, mulher do Roger, presidente da Vale, Maria do Carmo, a sra. Marcos Vilaça, presidente da ABL, e esta jornalista. As demais quatro mesas não tinham lugares marcados. Lily inspirou-se num jantar de Nelson Rockefeller e sorteou entre as presentes seus lugares nas mesas presididas pela mineira Angela Gutierrez, a curitibana Margarita Greca, a embaixatriz Maria Thereza Castelo Branco, uma habituée do Cosme Velho, e Vera Lúcia, a sra. Oscar Niemeyer.
Todas tinham algo simpático a dizer à candidata. A embaixatriz Glorinha Paranaguá, ao ser apresentada, contou-lhe que foi seu filho jornalista, que vive em Paris, quem escreveu a grande matéria a seu respeito publicada no jornal Le Monde. Algumas até lhe levaram presentes, como costuma acontecer em almoços femininos. Dilma sentiu-se definitivamente em casa, no Cosme Velho.Hildegard Angel, Jornal do Brasil,22:27 - 09/07/2010,Postado por Kelly Girão

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Confidências de Glauber prá Joca (João Carlos Teixeira Gomes)

Confidências de Glauber pra Joca

Em carta a Joca, Glauber o nomeia como " Santo Guerreiro" e cita "Toninho Bacalhau" (ACM), como sendo o Dragão da Maldade.

Autoriza Joca: " desde já, se as eleições forem diretas, autorizo você, Flori, Peres, Calá, Sante, João Ubaldo, mesmo Guerrinha e Bananeira, em nome dos dialéticos fundamentos tribais revolucionários do Grupo Mapa/Jogralesca- os venerandos membros do Terreiro, a transarem minha candidatura" Glauber queria ser Governador da Bahia.

Sobre as mulheres: "Vês meu caro Vate, como fomos aí na Bahia formados santificando ou putificando a mulher. Santas são nossas mães e irmãs, putas nossas mulheres e filhas. E quando você se apaixonou por Neuza no puteiro de Nair, tá lembrado como ela te amava e foi até o Central, e você gamadíssimo, até lhe fez poema, mas a Puta não ganhou o coração do poeta, as putas ficam no puteiro as Santas a gente leva pra casa pra comer com pudor porque quem goza mesmo é puta e sendo paga é falsa logo não vale, melhor mesmo é amor reprimido numa sexualidade dor/prazer, afinal a gente conhece senão a literatura machista ou o cinema machista onde mulher é sempre puta ou santa! "

Confessa a Joca: "Florisvaldo Matos se casou com Sônia Coutinho, João Ubaldo com Beatriz Moreira Caldas, eu com Helena Ignez, casamentos fodidos por corneação, sendo que eu e Flori pegamos chifres e Ubaldo nos vingou na belíssima e maravilhosa Bilê"


Sobre Joca: " De nossa turma você era o último romântico filho de um comerciante português com uma mulher da burguesia baiana liberal, afinal Célia, Ivone e Wanda eram mulheres independentes nesta Bahia provinciana"



Joca: "No Central eu tarei por Milze, você por Eliete, Lina por você, Célia por mim, Iracy por você, você por Iracy, Guerra por Elcy, Elcy por Julia, Júlia por Wilma, eu por Maria Meron, ela pelo Herval, muitos por ela, o puteiro de Nair, Jaiminho por Rosa, Gil por Maria, Calá por Maria" Confissões de Glauber

Pedido a Joca: "Quando eu morrer escreva no Jornal da Bahia que, como Álvares Azevedo, foi poeta/sonhou/amou na vida" p. 563

Sobre a prima de Joca: "Rosa Maria era uma das moças mais lindas e inteligentes do Brasil. Grande potência sexual em sua família "

Sobre Joca: " homem de poder pois dirige jornal de oposição, Jornal da Bahia, é professor literário universitário e intelectual crítico e poeta de vanguarda baiana. Honesto, corajoso, enfrentou batalha violenta com o governador Antônio Carlos Magalhães. Nessa época ví uma fotografia sua na revista Veja, abraçado com Iracy, que estava linda."

Sobre João Falcão: "Não quero ser correspondente de João Falcão. Quando lhe escrevi queria mas lembrei que lhe mandei carta de demissão, o acusando de ter traído a revolução"

Voltando a Joca: "Debaixo do Boca do Inferno, Joca, exímio manipulador dos metros sonoros do verso, esconde-se o satírico sensual, pornográfico ainda não revelado. Despreza o épico, por isto atacou Toninho: morro de vontade de ler seus editoriais contra Toninho.Mande-me os xeroques! "

Sobre ele próprio: "se voltasse hoje à Bahia pobre como sou viveria marginal porque não me adaptaria ao trabalho. Meus amigos me dariam biscates nos jornais. Para sobreviver necessito do Rio. Na Bahia a Utopia"

Aconselha Joca: "Se você quiser fazer do Jornal da Bahia o melhor jornal do Brasil como foi na época da sua criação, bote a nova geração dentro. Revolucione os quadros. Quantos jovens escritores baianos esperam uma chance? Balance o coreto. Movimente o jornal com gente nova, como Ari e Ignácio fizeram com a gente. Renascença cultural baiana."

Recorda: "Lembro quando lhe conheci bonito bem vestido elegante de óculos Ray-Ban e íamos passear nas matinês dominicais até que ampliei com a turma do central a quem você sempre reagia mas integrava na transação poética. Você de voz tão bonita esteve ausente das Jogralescas e se apaixonou por Iracy. Você foi o único que se casou com uma jogralesca."

Opinião final de Glauber sobre Joca:  "Conversar com você é libertar a juventude"

Nota: a ordem das citações não obedece a mesma ordem em que as frases se encontram nas cartas de Glauber a Joca.

Bananeira é apelido de Fernando Rocha, um excelente jornalista, sobre quem, João Ubaldo Ribeiro escreveu uma excelente crônica em jornal local.

Peres é Fernando da Rocha Peres, Flori é Florisvaldo Matos, Calé é Calazans Neto, Sante é Scaldaferri, Guerrinha é Antônio Guerra Lima. Faltou citar Siri, que é Agnaldo Siri Azevedo.  Todos os citados são grandes personalidades, todos bem sucedidos na vida e realizados.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Porque apoiamos Dilma?


Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em

afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio...

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

O Templo



Foi um sonho bonito, cuja significação transcende  minha capacidade de interpretação.
Estávamos todos em um ambiente claro e iluminado. Um templo religioso a princípio. 

Não recordo, contudo, de ter visto - no sonho - a presença de um altar-mor, ou de santos. Em um dado instante, eu, meu pai, minha mãe, irmãos e demais familiares, apreciávamos a beleza das sepulturas em um dado local, tão radiante quanto o templo.

Repentinamente meu pai visualizou o nome de alguém que havia conhecido e a quem me pareceu ter grande grau de admiração e respeito.

Chegou a mencionar o nome de alguém. Reparei o nome pronunciado em uma inscrição lapidar, Era um nome estranho!

Em gesto de veneração meu pai pôs-se a rezar. Fez uma breve oração que, finalizada, aguçou minha curiosidade.

Vi algo que peguei e examinei. Surpreso verifiquei símbolos pertencentes à maçonaria, o que me levou a iniciar conversação com alguém.

Estava a fazer revelação que não deveria e, por isso mesmo, meu pai repreendeu-minha indiscrição com suavidade. Pediu-me para guardar segredo sobre o que havia notado e, pegando-me pelo braço disse-me:
- Venha! Vou lhe mostrar algo que todo mundo vê, mas nem todo mundo observa.

Fomos para um descampado, de onde descortinávamos a linha do horizonte. Ele me perguntou, diante daquele cenário, o que eu via. Disse-lhe que via uma espécie de catinga em hora do sol se por. Ele, então, pediu-me para que ficássemos de bruços e, aos poucos foi-me surgindo a imagem de três montes...



O sonho acabou!
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