sábado, 23 de agosto de 2014

Ser honesto consigo mesmo


por Vera Lucia Ferreira - luzreiki@uol.com.br

No texto anterior escrevi sobre o reconhecimento de nosso poder pessoal. Aqui destacarei o papel fundamental da honestidade neste processo. 

Honestidade é um tema complexo e delicado, portanto difícil de ser abordado e até de ser compreendido, pois está sujeito a valores pessoais. O enfoque deste artigo é a honestidade consigo mesmo, significando aqui o olhar-se tão profundamente, a ponto de sermos capazes de ficar diante do que gostamos e rejeitamos em nós mesmos, acolhendo-nos por inteiro, sem julgamentos e com gentileza.

Já foi dito e é sempre repetido que o conhecimento da verdade liberta o homem, referência clara ao conhecimento de Deus. Para que você se torne um ser livre, conhecedor portanto da verdade, antes de mais nada precisa ficar diante de si mesmo. É a maneira que o coloca mais próximo Deus, uma vez que Ele está dentro de você, naquele local sagrado, imutável e sensível ao belo - o seu coração.

Então, aceitar e honrar a verdade é o primeiro passo para a construção de sua auto-estima e você pode fazer isto agora, começando da onde você está. Nada é preciso mudar. Aqui, mudança é conseqüência. Para ajudá-lo nesse reconhecimento e tornar mais fácil a sua percepção, do quanto você se auto-engana, vou destacar alguns tópicos que me chamam a atenção, no meu trabalho como terapeuta e que também foram destacados por H. Palmer, em seu livro Vivendo Deliberadamente.

1 - Sem honestidade consigo mesma uma pessoa:

*Substitui* sentimentos genuínos por pensamentos racionalizados. Ex: Eu posso lhe perguntar: "Como você se sente?" e você pensa: "O que eu deveria sentir?" Ou seja, a sua experiência real e presente é substituída por uma resposta "intelectualizada, explicada e justificada", afastada da realidade de seus sentimentos e emoções verdadeiras;

*Ilude,manipula e camufla* interesses egoistas, que prejudicam seu próximo, exibindo "sentimentos honestos", tais como: "Sua desconfiança me magoa profundamente." ou seja, coloca-se sempre na defensiva.Faz isso de maneiras variadas;

*Diminui* o respeito pelo outro porque não se respeita. Ou seja, uma vez que você não é capaz de olhar os seus eus abandonados e perdidos,assumi-los e repeitá-los conseqüentemente,você não tem como respeitar quem se relaciona com você.

2 - Assim funciona a falta de honestidade consigo mesmo(a):

* Na sua fragmentação, existe uma parte em você mesmo(a) que insiste que é honesta sem mesmo analisar o que está fazendo ou dizendo. Funciona automaticamente:"Eu não fiz isso.", "Isso não tem nada a ver comigo.", "Eu não ajo assim." ,"Não é o meu caso." É mais fácil para você defender as suas ações do que examiná-las honestamente;

* Você sempre aceita que existe uma boa razão para ser desonesto, mesmo que de forma inconsciente. Aqui cabe aquele medo que abordei no meu artigo anterior: o medo de quem tememos ser: "você é desonesto consigo mesmo para evitar algo de que você tem medo e você sempre acha que essa é uma boa razão para o auto-engano.";

* O seu medo baseia-se em uma crença, em um pensamento limitante que você tem sobre você e, conseqüentemente,na incapacidade que você julga ter para lidar com alguma coisa. Você não tem coragem para ficar diante do que você teme e mente para si mesmo(a);

* A crença, responsável pelo seu medo, quase sempre está camuflada pelas defesas que você construiu para protegê-lo(a) da "vergonha" que você tem da "humilhação", em ter que encará-la;

* Aos poucos você se torna um "fingido" e canaliza toda a sua energia na construção de uma falsa identidade, que você precisa manter e encenar, para que a mentira se torne "verdade", para você e para o outro;

3 - As consequências da não honestidade consigo mesmo(a) são:

* Como você "finge" se sente culpado e, para se defender de sua culpa, você projeta nas outra pessoas a responsabilidade pelos fatos, ações, pensamentos, sentimentos e intenções que você reluta em expressar;

* Você projeta no outro e no mundo a sua desonestidade secreta, que acaba por retornar para você nas ações de estranhos.É a lei da atração!

4 - O que fazer para tornar-se honesto consigo mesmo(a):

* Ter uma atitude de encarar e lidar com o que você considera perigoso, difícil e doloroso, ao invés de fugir(fingir). É a atitude que chamo de coragem - agir com o coração;

* Lembrar que fingir é cansativo e drena a sua energia. Isso porque é uma tentativa de demonstrar alguma coisa que é diferente do que você sente, pensa e acredita;

* Descobrir o medo que está oculto por trás do seu fingimento.Nada como respirar o ar puro para encarar um ato desonesto e dizer: " Eu fiz isso porque estava com medo!" Quando você fizer isso, terá dado o primeiro passo e poderá trabalhar sobre você mesmo(a), tornando-se uma pessoa íntegra, verdadeira e compromissada consigo mesma.

Não esqueça que todos nós nascemos com uma centelha divina, que brilha a todo momento que expressamos o melhor de nós. Reconhecê-la resulta no estabelecimento de relacionamentos autênticos com o nosso próximo, conosco mesmos e com o mundo. Deixamos de lado a falsidade, a mentira, a competição e as substituimos por autenticidade, disponibilidade e cooperação. O sentimento de unidade com o outro toma o lugar dos sentimentos que nos separam. 

Ser honesto consigo mesmo(a)é um reconhecimento de seu vínculo com a Fonte. Nada precisa ser temido porque você está na Paz de Deus.


Vera Lucia Ferreira é psicóloga, renascedora e mestre de Reiki.
Tels para contato: 213350-2843 / 2193027394
Sites: www.luzreiki.com.br / www.renascendo.com.br

Fonte:Somos todos um http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=09472

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Mulheres na política declaram apoio à presidenta Dilma

Com as eleições presidenciais cada vez mais próximas, é notório o quanto a candidata à reeleição, presidenta Dilma Rousseff, vem recebendo apoio de diversos setores da sociedade. Nesta quarta-feira (13), mulheres filiadas aos partidos que apoiam a candidatura da atual presidenta, emitiram uma nota oficial. 

Bancada feminina da Câmara com a presidenta Dilma RousseffBancada feminina da Câmara com a presidenta Dilma Rousseff De acordo com o documento, as mulheres declaram apoio à presidenta porque em seu governo ela priorizou políticas de gênero e fortaleceu a Secretaria de Políticas para as Mulheres, além de ter aprofundado mudanças iniciadas no Governo Lula voltadas ao combate à discriminação de gênero, raça e orientação sexual e à violência contra a mulher. 

Leia o documento na íntegra: 

Mulheres com Dilma

Nós, mulheres de todas as raças, etnias, credo, convicções políticas, orientação sexual e classes sociais estamos com Dilma nesta eleição porque seu governo vem cumprindo os compromissos de formulação e implementação de políticas públicas e programas voltados para as mulheres, buscando corrigir injustiças sociais que atingem em especial as mulheres pobres, negras e indígenas.

Estamos com Dilma porque no seu governo houve determinação política para o fortalecimento dos espaços de elaboração e monitoramento de políticas para as mulheres, com fortalecimento da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a ativa participação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, da realização da 3º Conferencia Nacional de Politicas para as Mulheres.

Estamos com Dilma porque sabemos que é preciso coragem e ousadia e determinação política para aprofundar as mudanças já iniciadas em 2003 e que rompem com a lógica das discriminações de gênero, raça e orientação sexual.

Estamos com Dilma porque a violência contra as mulheres é tratada como um grave problema social, que merece políticas de Estado como o Programa “Mulher: Viver sem Violência”.

Estamos com Dilma porque em seu governo foi implantada uma rede de políticas de proteção e inclusão social, como o Plano Brasil Sem Miséria, em que 22 milhões de pessoas foram resgatadas da extrema pobreza.

Estamos com Dilma porque no seu governo mais de 6 mil creches foram financiadas para atender nossas crianças com estímulos pedagógicos e cuidados de qualidade.

Estamos com Dilma porque o Programa Mais Médicos chegou em todo país, atendendo populações jamais assistida por um profissional de saúde.

Estamos com Dilma porque no seu governo foi instituído o Pronatec, oferecendo mais de 6 milhões de vagas para os nossos jovens.

Estamos com Dilma pela manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas conquistados por trabalhadores no campo e nas cidades e pela PEC do trabalho doméstico, reconhecendo os direitos e a dignidade da maior categoria profissional feminina do país- as empregadas domésticas.

Estamos com Dilma porque o salário mínimo manteve a sua valorização, transformando a vida de milhares de pessoas.

Estamos com Dilma pela eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres, preconceito, e porque queremos ser protagonistas das mudanças que farão deste país uma Nação mais justa, igualitária, livre da pobreza e de todas as formas de intolerância que violam a dignidade dos seres humanos – mulheres e homens.

Crédito/Fonte: Portal Vermelho

sábado, 16 de agosto de 2014

Criação da 28 Região Administrativa do Estado da Bahia


Fruto da incansável luta do deputado Luiz Leal,  o governador Waldir Pires, mediante ato publicado no Diário Oficial do Estado, criou a 28.a Região Administrativa do Estado da Bahia, sediada na cidade de Senhor do Bonfim.

A importância da cidade de Senhor do Bonfim cresceu e a comunidade ganhou com a criação da nova Região Administrativa. Abaixo publicamos ofício endereçado ao Deputado Luiz Leal, assinado pelo então governador, Dr. Waldir Pires, dando ciência ao deputado da criação da nova  Região Administrativa:


Transcrevemos o teor do ofício:

    GABINETE
          DO
GOVERNADOR



Ofício n. 1311/87-SG
Salvador, 15 de dezembro de 1987.

Senhor Deputado, meu caro Luiz

Com satisfação comunico ao prezado companheiro que, em ato publicado no Diário Oficial do dia 11 de dezembro do corrente ano, ficou criada a 28 Região Administrativa do Estado da Bahia. 

A criação da nova Região Administrativa, resultado da sua luta e do nosso partido, fruto das reivindicações incessantes dos nossos conterrâneos, confirma o espirito democrático do atual Governo no sentido da descentralização administrativa e da maior participação das comunidades da nossa terra na condução dos seus destinos. 

Cordiais Saudações 

Waldir Pires
Governador


EXMO. SR. DR. LUIZ LEAL
DD. DEPUTADO ESTADUAL
NESTA





quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Crônica "Meu pai", de Luiz Fernando Emediato


Às vésperas do Dia dos Pais, recebi essa crônica na qual o autor fala de seu pai. Quero que todos os pais que a lerem tomem como uma singela homenagem do blog a eles. A introdução abaixo também é do autor.

Há alguns anos, publiquei no Caderno 2 do “Estadão” uma crônica sobre meu pai aventureiro, um herói anônimo de nosso pais. Ele morreu em 2006, com 80 anos – muito jovem, para os padrões de nossa família, cujos membros começam a envelhecer aos 70 e morrem, geralmente de algum acidente, entre os 98 e 104 anos. Na véspera do Dia dos Pais, republico aqui aquela crônica.

MEU PAI

Luiz Fernando Emediato

Houve um tempo em que odiei meu pai. Eu era adolescente, um jovem triste com idéias suicidas e uma justificada revolta contra o mundo contraditório e injusto que só então começava a conhecer verdadeiramente. A descoberta da realidade foi sem dúvida um choque. E naquele tempo, por razões que só mais tarde pude compreender, eu odiei meu pai.

Meu pai era um homem gordo e aventureiro, desprendido da família, que gastou a melhor parte de sua vida correndo atrás de sonhos. Era um homem rude que arou a terra, plantou, colheu e perdeu. Escavou o solo atrás de ouro e diamantes e nada achou. Varou o mundo. Voltou de mãos vazias, mas sólido como um carvalho.

Em 1964, foi expulso de Brasília – para onde tínhamos ido, em busca da terra prometida – acusado de subversivo, janguista e comunista, ele que de política entendia tanto quanto a maior parte dos pobres e desinformados brasileiros. De desgraça em desgraça, meu pai acabou sem a família, separado da mulher e dos filhos, vendendo churrasquinho, doente e solitário numa rua do interior de Minas.

Foi então que aprendi a amar meu pai. O que teria acontecido entre nós?

Hoje, distanciado de tudo aquilo, e com marcas tão dolorosas quanto as que meu velho pai sem dúvida possuía em todo o corpo, penso que ser pai é uma atividade amarga e doce, com toda a sua carga de alegria e tristezas, mas de qualquer forma algo maravilhoso, se temos sorte ou não fechamos os olhos e o coração às duras verdades da vida.

Devo ter odiado meu pai porque ele nos amava de uma maneira especial, tão especial que poucos de nós, seus filhos, fomos capazes de compreender. Na infância, suas longas ausências e suas febris atividades o afastaram de nós, e sem dúvida tal carência marcou os pequeninos corações de seus filhos abandonados.

Acho que na adolescência tudo isso desaguou no ódio que sua grande ausência provocou. Mas, de repente, como numa iluminação, percebi que suas ausências não eram na verdade ausências: que, mesmo distante, ele, nosso pai, sempre estivera perto de nós, pois a presença dele era tão forte que não necessitava de seu corpo próximo de nós para que a sentíssemos.

Costumamos admirar os homens quando eles alcançam grandes sucessos na vida, tornam-se brilhantes, famosos, legendários, heróis. Aprendi a amar meu pai quando percebi que ele sempre fracassara em todos os seus projetos e que seria sempre um anônimo e sofrido cidadão brasileiro. Nenhuma de suas quedas o abateu, nem mesmo as mais terríveis, e quando vi a patética força humana que emanava daquele corpo descobri, entre lágrimas, que meu pai era um grande homem. Ele nada conseguira na vida, mas sua luta foi tão soberba que seria impossível não admirá-lo.

Assim como o Quixote, meu pai pertencia a essa classe de visionários sem os quais o mundo não anda. As pessoas comuns costumam considerar tais homens como loucos, ovelhas desgarradas, anormalidades. Pois eu digo que a História não se faz sem estes andarilhos anônimos, essas pequenas vidas que passam pelo mundo sem que ninguém perceba – mas é com seu anônimo esforço, multiplicado por um milhão, ou por um bilhão, que se faz a História de todos os homens.

Em 1984 eu escrevi um livro, “O Outro Lado do Paraíso”, e dediquei-o a meu pai. Foi o início da reconciliação. É o livro da vida dele, um livro escrito por um filho emocionado que se redimiu daquele ódio escrevendo não só sobre o que tinha sido, mas também sobre o que poderia ter sido se os homens fossem mais francos e se entre eles houvesse diálogo para acabar com toda a dor, toda a incompreensão, toda a injustiça.

Fui amigo de meu pai e ele foi meu amigo. Na solidão anônima de sua velhice apagada numa cidade de Minas Gerais, ele continuava, no entanto, grande, poderoso, correndo ainda atrás de sonhos, miragens, delírios. Ilusões. Mas o que mais nos mantém erguidos num mundo em que só a utopia, e mais nada, merece verdadeiramente nossa atenção?

Tenho três filhos adultos – Alexandre, Rodrigo e Fernanda – e um de seis anos, Antonio, e fico imaginando o que ele, Antonio, pensará de mim dentro de alguns anos, quando chegar à adolescência e começar a fazer perguntas mais profundas e intensas que as que já faz hoje, tão infantis, mas tão certeiras. Assim como meu pai, também eu persigo minhas miragens, meus sonhos – também eu me afasto inevitavelmente de meus filhos, subjugado pela força poderosa dos projetos quase irrealizáveis.

A carência humana é um poço sem fundo que jamais se completa.

Mas eu espero que, quando chegar o grande momento da verdade, meus filhos saibam compreender-me, e eu a eles, como compreendi meu pai, e como meu pai me compreendeu – mas também espero que eles me compreendam mais cedo (e eu a eles), para que não soframos, ou soframos menos.

Agora, quando mais uma vez o comércio – que pensa mais em lucros que propriamente em amor – explora esse Dia dos Pais, eu me pergunto se tal data não pode ser também um pretexto (mais um) para que meditemos a respeito de nós mesmos, nossos relacionamentos, nossos erros, nossa intolerância, e descubramos o difícil caminho do amor.

É com palavras que se constrói o diálogo capaz de aproximar e de unir as pessoas. Por timidez, covardia ou preguiça, muitas vezes hesitamos em abrir para o outro nossos duros corações. Mas nada é mais rico e gratificante do que a compreensão que vem daí – do diálogo amoroso – e nada torna o homem mais feliz e rico do que a sinceridade, a descoberta de que nem tudo aquilo que sentimos ao longo de tantos anos era verdadeiro. Sim, houve um tempo em que odiei meu pai. Foi fascinante descobrir que sempre o amei.

*Publicação livre

Luiz Fernando Emediato é editor e publisher da Geração Editorial

Fonte: BLOG DO ALDO

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Caio Fernando Abreu, vai passar...

Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. “É melhor viver do que ser feliz”. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida.Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Odiodependência: vício em ódio

O homem, de forma geral, combate à droga por ser nociva à saúde física e mental. Pois bem: vou colocar o ódio no mesmo patamar de uma droga potencialmente nociva e destruidora. Assim como a droga, o ódio também vicia, causa a dependência psicológica que é caracterizada por um estado mental da necessidade de sentir sensações de decepção.

A “overdose” de ódio também pode matar a si mesmo (depressão, suicídio, câncer, infecções, doenças autoimunes, acidentes automobilísticos, paradas cardíacas e respiratórias, etc.) e aos outros (assassinatos, latrocínios, etc.) A compulsão para odiar, assim como a compulsão para usar drogas, se caracteriza por um estado de obsessividade e submissão que escraviza a vontade e submete o desejo da pessoa. Em alguns indivíduos, a compulsão para odiar é mais forte que sua vontade de amar, perdoar e até de viver – o ódio é que comanda sua vontade e seu corpo.

Como disse o escritor irlandês Joseph Murphy (1898-1981),

“A personalidade odiosa, frustrada, distorcida e deformada está fora de sintonia com o Universo. Inveja os que têm paz, que são felizes, generosos e alegres. Geralmente critica, condena e difama aqueles que lhe demonstraram generosidade, bondade e compaixão. Assume a seguinte atitude: ‘Por que ele deve ser tão feliz se eu sou tão desgraçado?’ Deseja atrair a todos para o seu próprio padrão de vida. O seu infortúnio necessita companhia.”

O pensamento do viciado em ódio e suas expectativas giram, principalmente, em torno de uma maneira de odiar mais, de se apegar mais ao objeto de seu ódio e encontrar uma forma de espalhar este sentimento negativo em volta de si mesmo. Assim, atolando-se no “pântano” da autopiedade, o odiodependente corre o risco de entrar num estado agudo de depressão, que poderá levá-lo, consciente ou inconscientemente, a uma forma de autoeliminação – suicídio, acidentes ou doenças.

Nesta fase, o ódio já ocupa o lugar central em sua vida e o submete de forma completa. Como disse o escritor norte-americano Hosea Ballou (1771-1852), “Odiar é punir- se a si mesmo”.

Na década de 30, o médico e psicanalista Sigmund Freud (1856-1939) já falava sobre a importância do ódio nos desequilíbrios – tanto mentais quanto físicos – do ser humano. É sempre bom lembrar que a pessoa que muito odeia é porque está com seu amor “ferido”, machucado, pisado.

E como tratar odiodependente? Aqui entra minha experiência como psicoterapeuta e minha forma de tratamento: Geralmente, assim como os viciados em drogas, os viciados em ódio não querem ajuda e fazem sofrer as pessoas que com eles convivem.

Condição importante: O odiodependente tem que se predispor ao tratamento, que segue os mesmos padrões de um toxicodependente, isto é, tratamento psicológico com um bom terapeuta que tenha uma visão holística/sistêmica (visão integral do ser humano), e também com um bom médico psiquiatra para uma cobertura com medicação adequada, em situações que se fizerem necessárias, tais como o caso em que o paciente odiodependente esteja com sintomas de depressão aguda, na iminência de suicídio.

É importante deixar claro que, em caso de depressão em fase aguda, a medicação farmacológica é necessária num primeiro momento, pois ela é fundamental para colocar “a casa interna” do paciente em ordem, trazendo, assim, uma estabilização emocional de forma rápida e eficaz. Desta forma, ele poderá dar início, através de um tratamento psicoterapêutico, à conscientização da emoção que o levou a “fazer” a depressão. Em minha prática psicoterapêutica, utilizo tratamentos complementares com Florais de Bach e Homeopatia que, juntos aos medicamentos alopáticos e a terapia, terão uma ação extremamente positiva na recuperação e harmonização emocional do paciente.

Assim, a meu ver, a etapa mais importante no tratamento da odiodependência é a conscientização do seu ódio, para que o indivíduo tome a decisão do perdão.

Voltando a Joseph Murphy, “Salientam os médicos que essas pessoas doentes, que foram magoadas, maltratadas, enganadas ou prejudicadas estão cheias de ódio e ressentimento contra os que as feriram. Isso provoca feridas inflamadas e supuradas em seus subconscientes. Só há um remédio: elas têm que eliminar e descartar-se dos seus ferimentos e o único caminho seguro para isso é o perdão ”

Finalizando, lembre-se do que recomendou Jesus Cristo quando perguntaram a ele sobre quantas vezes devemos perdoar um ofensor:

“Eu não vos digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.”

Com isso, imagino que o Cristo, como um grande conhecedor da alma humana, quis dizer que devemos perdoar quantas vezes se fizerem necessárias. Afinal, o perdão que exercemos em relação a nós e aos outros é essencial para a nossa saúde, felicidade e sucesso.

Fernando Vieira Filho é psicoterapeuta e autor do livro “CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ!”, pela Barany Editora

http://curesuasmagoasesejafeliz.blogspot.com.br/
Fonte: http://www.bdci.tv/odiodependencia-vicio-em-odio/

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Desenvolvimento Pessoal - O medo do anbandono



Por João Alexandre Rodrigues
O medo do abandono O medo do abandono nas relações de intimidade é poderoso. Aqueles que identificam o medo do abandono, sabem o quão doloroso e assustador é a separação. Implica ser deixado para trás, rejeitado e não merecedor de amor. Algo que necessitamos para viver, é renunciado e negado, semelhante a falta de oxigénio para respirar. Algumas pessoas pensam que talvez não sejam capazes de sobreviver sozinhos perante o cenário da separação.
Ao antecipar um cenário de separação numa relação de intimidade pode ressuscitar esse terror. Inseguros e confusos, tudo faremos, incluindo insanidades, para evitar sentir essa sensação de perda de controlo. A resposta para o medo do abandono reside no controlo? A resposta é não.

Nos relacionamentos de intimidade, a fim de evitarmos ser abandonados (angustia), podemos privar nos, e em alguns casos negar aquilo que sentimos e os nossos limites, inclusive as nossas necessidades emocionais, fazendo tudo o que for possível para (re) conquistar o parceiro/a desmotivado/a e desinteressado/a. Por ex. Comprar presentes, financiar hobbies caros e/ou bónus, mudanças geográficas, permitir o abuso verbal e emocional, etc em prol do amor disfuncional.

Algumas necessidades emocionais importantes, das quais é necessário preservar durante a relação de intimidade, e só o próprio individuo pode zelar por elas:

- Pertencer
- Segurança
- Reconhecimento
- Amar e ser amado
- Definir os limites, por exemplo, dizer Não.

A ausência do amor genuíno e honesto, na vida de um ser humano, é a causa nº 1 da maioria das doenças do foro psicológico.
Para amar basta acreditar, não existem porquês, mas precisamos de manter o nosso conceito de amor atualizado, porque se não funcionar de uma forma saudável e espontânea, precisamos urgentemente, de requacionar as nossas crenças, paradigmas, atitudes e comportamentos em relação a um novo conceito de amor recíproco.

Seriamos mais felizes se levássemos mais a sério o preenchimento das nossas necessidades emocionais/espirituais, da mesma forma que levamos a serio o poder das coisas (consumismo) e do capital (estatuto, poder e prestigio).

Aproveite esta semana para realçar a importância das suas necessidades emocionais.

João Alexandre Rodrigues
Addiction Counselor
FONTE: Publicado em MULHER

http://recuperarequeestaadar.blogspot.com
http://maisvaleprevenirdoqueremediar.blogspot.com
http://www.facebook.com/joaoalexx

domingo, 24 de março de 2013

Transtornos de abuso de álcool e drogas


 
Print version ISSN 1516-4446
Rev. Bras. Psiquiatr. vol.30 suppl.2 São Paulo Oct. 2008
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600006 


ARTIGOS

Terapia cognitivo-comportamental de transtornos de abuso de álcool e drogas

Bernard P RangéI; G Alan MarlattII

IPrograma de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro (RJ), Brasil 

IICentro de Pesquisa em Comportamentos Adictivos, Universidade de Washington, EUA


RESUMO

OBJETIVO: Entre os diversos tipos de tratamentos aos quais as terapias cognitiva e comportamental têm sido aplicadas com sucesso encontra-se o uso em problemas de adicção. Este artigo, em parte, revê modelos de adicção como os de prevenção de recaídas de Marlatt e Gordon, o de Prochaska, DiClemente e Norcross sobre os estágios de mudança, com a derivação da entrevista motivacional, desenvolvida por Miller e Rollnick, bem como os modelos cognitivos de Beck et al. 


MÉTODO: Com base em evidências da literatura para o desenvolvimento de programas de tratamento efetivos, é descrito um modelo de tratamento em grupo que foi usado com grupos de alcoolistas encaminhados pela Divisão de Vigilância da Saúde do Trabalhador da Universidade Federal do Rio de Janeiro para o Centro de Pesquisa e Reabilitação do Alcoolismo. 


RESULTADOS: Os resultados são apresentados indicando que este tipo de tratamento poderia ser uma alternativa a outros tratamentos em uso. 

CONCLUSÕES: Novas pesquisas são necessárias para validar melhor a abordagem cognitivo-comportamental para os problemas de abuso de álcool e drogas.

Descritores: Fobia social; Terapia cognitivo-comportamental; Timidez; Ansiedade; Transtornos relacionados ao uso de substâncias


Introdução

Transtornos relacionados a substâncias geralmente causam prejuízos importantes e complicações graves, resultando em deterioração da saúde geral do indivíduo, além de produzir efeitos negativos nos contextos pessoal, social e profissional. O consumo repetido de altas doses de álcool pode afetar quase todos os sistemas orgânicos, principalmente o trato gastrointestinal e os sistemas cardiovascular e nervoso (déficits cognitivos, déficit de memória grave e alterações degenerativas no cerebelo).

A dependência e o abuso de álcool representam um grande problema de saúde pública. Mesmo os melhores tratamentos para o alcoolismo apresentam prognósticos pouco favoráveis, e o prognóstico para pacientes com maior cronicidade é ainda menos favorável.

A Associação Americana de Psiquiatria (APA) estabeleceu critérios diagnósticos para abuso e dependência de substâncias.1

Critérios para abuso de substância do DSM-IV

A. Um padrão mal-adaptativo de uso de substância levando ao prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por um (ou mais) dos seguintes aspectos, ocorrendo dentro de um período de 12 meses:

• uso recorrente da substância, resultando em um fracasso em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa

• uso recorrente da substância em situações nas quais isto representa perigo físico

• problemas legais recorrentes relacionados à substância

• uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes

B. Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para Dependência de Substância.

Critérios para dependência de substância do DSM-IV

Padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando ao prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:

1) tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:

a) uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado

b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância

2) abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

a) síndrome de abstinência característica para a substância

b) a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência

3) a substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido

4) existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância

5) muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos

6) importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância

7) o uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas,embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool)


terça-feira, 12 de março de 2013

Radical: desabafo de uma destruída



“E hoje eu posso dizer com toda a certeza do mundo: pega tudo o que tem aqui teu e leva de volta. Eu não quero mais suas cartas, não quero suas fotos, suas lembranças, nem aquele coração de metal que você fez com clips quando brigamos e me deu só pra que eu não ficasse brava contigo, nem isso eu quero mais… Pega tudo e leva. Leva porque tudo isso me lembra a pessoa boa que você era e na minha mente eu só quero o que é de verdade. Aquela pessoa não era você. Aquilo tudo nunca existiu. Então leva tuas coisas, leva absolutamente tudo embora, eu não quero nem nessa casa, e nem dentro de mim mais nada seu, então cata tudo, e aproveita e recolhe o sentimento que ainda existe no meu peito, guarda em uma caixa, e vaza. Eu não suporto mais ter que conviver com as lembranças e incertezas, e tudo é culpa sua. E minha. E nossa. E de todo mundo. Meu Deus! Você me enlouquece! Eu não consigo raciocionar por um segundo sem que você invada meus pensamentos e me faça ficar com um ódio tão grande que sou capaz de quebrar qualquer objeto que esteja em minha frente. Você conseguiu destruir tudo. Você conseguiu quebrar meu coração em pedaços e não falo isso como um tipo de “drama”. Sabe aquela história clássica da menina apaixonada que entrega seu coração, corpo e alma à pessoa amada, e essa mesma destrói tudo? Você fez isso. Você pegou tudo o que eu tinha e demoliu. E agora minha vontade é de demolir você! Por mim, chega. Eu não aguento mais ver minha tristeza sendo jogada pro alto como confete por você. Você brinca, se diverte com isso, você supera rápido, de uma forma inacreditável e eu… e eu sou a típica vítima da história, que hoje está aqui dizendo que superou e que não se importa, mas fazendo um texto socando as teclas com o maior arrependimento do mundo, e isso era o que eu mais temia, pois você me fazia acreditar que por mais doída que a situação seja, não devemos nos arrepender de nada que nos fez sorrir, mas hoje eu me arrependo de ter te dado a primeira chance que fosse. Eu estou arrependida. Com todas as letras, de todas as formas. E sinceramente? Eu te culpo por isso. Então já falei demais, e se falar mais vou acabar falando o que não devo, então junta teus restos, tira tudo do meu campo de visão e vai pro lugar mais longe o possível de mim. Me deixa em paz. Vai, e dessa vez, por favor, eu te imploro… não volta.”

 Desabafo de uma destruída
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CRÉDITO: HTTP://ANCOR4DA.TUMBLR.COM/POST/43667241750/E-HOJE-EU-POSSO-DIZER-COM-TODA-A-CERTEZA-DO-MUNDO

segunda-feira, 11 de março de 2013

FIDELIDADE, por Dr. Laís Marques da Silva



Analisemos o oposto, isto é, a infidelidade que é a incapacidade de sermos fieis a nós mesmos, ao que pensamos, ao que amamos, ao que dissemos, ao que prometemos. A infidelidade é como uma rachadura num dique, termina em avalanche.

É um inimigo insidioso do ser humano no plano psíquico e ainda mais destruidor nos planos intelectual e espiritual, onde o equilíbrio é indispensável à felicidade.

Ser infiel implica na autodestruição invisível da nossa unidade pessoal.

Quem não é fiel coloca-se abaixo da sua própria humanidade e uma das maiores alegrias que se pode ter está em ajudar as pessoas entenderem e desenvolverem a sua própria humanidade.

A esse respeito, a história do profeta Jonas é muito ilustrativa. A palavra Jonas vem de iona, que quer dizer a pomba de asas cortadas. Jonas foi chamado para Nínive, onde muita coisa ruim estava acontecendo e a cidade caminhava para a destruição. Mas não acreditou nele mesmo, não foi fiel ao seu compromisso e resolveu ir a passeio para um outro lugar, atendendo ao convite sedutor da fraqueza. Isso fez com que ficasse doente pois não estava em paz, não estava bem consigo mesmo. O fato de não estar em paz adoece as pessoas. A doença é um fax que recebemos e é preciso entender o que está acontecendo quando se fica doente. O problema surge quando nos desviamos do nosso caminho, quando nos desviamos da nossa fé. Mas veio a tempestade, que ocorre sempre que não se está bem consigo mesmo, com a própria consciência, com quem não tem integridade. Foi jogado ao mar e, já na barriga da baleia, reconheceu que havia fugido da palavra dada, do compromisso e decidiu reassumi-lo novamente. Depois, foi jogado na praia e podemos entender este fato como o início de uma nova vida. Temos que vencer o nosso Jonas interior, ser fiel ao que pensamos, acreditar no que somos e agir com integridade.

Fidelidade à palavra é uma prova de caráter. A prova oral sendo mais importante do que a escrita. Fidelidade é coerência, é permanência. Ser fiel é ir do não ser para o ser. É permanecer no ser. É essencial para a coesão da personalidade.

A fidelidade é a virtude socrática por excelência, conhece-te a ti mesmo. O passado e o futuro são plásticos e podem ser modelados pela memória enquanto que o presente é obtuso e obstinado, o presente simplesmente é. A fidelidade é o caminho natural para a fé, suprema virtualidade transcendental, para o encontro da verdade.

A fidelidade não é a nota típica ou dominante na onda do relativismo pessoal, intelectual, moral ou político que está corrompendo a nossa civilização.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

HISTÓRICO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA


Histórico 

Ao demandarem as margens do São Francisco ou as minas de ouro de Jacobina bandeirantes paulistas e frades franciscanos desbravaram a região onde hoje se localiza o Município de Senhor do Bonfim. 

O povoamento iniciou-,se com colonos portugueses, escravos e indígenas. No .século XVII, a área correspondente a atual cidade era ocupada por um rancho de tropeiros, situado a margem de uma lagoa ha pouco drenada (fundos da Praça Juracy Magalhães na confluência com a Rua Visconde do Rio Branco). 

A povoação mais próxima naquela época era o arraial de Missão do Saí, em cujas proximidades viviam aldeados os índios Patachós, sob a orientação dos franciscanos que em 1697 ali erigiram convento e igreja sob a invocação de Nossa Senhora das Neves. 

A 5 de agosto de 1720, por Carta Régia foi criada a Vila de Jacobina, sendo o arraial de Missão do Saí escolhido pare sede da mesma (a instalação verificou-se a 24 de junho de 1722). 

Em 1724, foi transferida para o local da atual cidade de Jacobina, em virtude de exploração aurífera naquela região. Em torno da rancharia novas habitações foram surgindo, aproveitando-se, também, as margens da estrada das boiadas, atualmente estrada real pare a cidade de Juazeiro. Em 1750, com o desenvolvimento da população, o local tomou oficialmente o nome de Arraial de Senhor do Bonfim da Tapera, sendo elevado a Juizado em 1795 pelo Ouvidor Geral Florêncio José de Moraes. Dois anos depois, o povo pleiteava e obtinha a elevação á categoria de vila, a qual, com o nome de Vila Nova da Rainha, foi instalada a 1.° de outubro de 1799. 

A Lei Provincial n.° 2 499, de 28 de maio de 1885, elevou a vila à categoria de cidade com     
o atual topônimo de Senhor do Bonfim ocorrendo a instalação a 7 de janeiro de 1887. O movimento republicano encontrou no selo dos bonfinenses grande receptividade, tanto 
que, em 1889, foi o Conde d'Eu recebido sem entusiasmo por parte da população, que viria a aderir francamente a nova forma de governo. No dia 17 de novembro de 1889, realizou-se histórica passeata, acompanhada da filarmônica "Ceciliana" e tendo à frente o Dr. Jose Gonçalves, que foi, depois, primeiro governador constitucional do Estado da Bahia. 

Em 1933, Jaguarari foi elevado a categoria de Município e Bonfim dividido em 3 distritos: 

Bonfim, Carrapichel e Catuni. Catuni e incorporado quatro anos depois a Jaguarari, mas em 1943 o Decreto-lei 141, de 31 de dezembro, extingue este Município, anexando-o ao de Bonfim, que passou a constituir-se das seguintes unidades distritais: Senhor do Bonfim, Carrapichel e Jaguarari. 

Em 1.° de junho de 1944 foi restaurado o Município de Jaguarari (Decreto-lei número 12.978). ficando o de Senhor do Bonfim reduzido à atual área. A partir de 1954, e por força da Lei n.° 628, de 30 de dezembro de 1953, Senhor do Bonfim ficou constituído das seguintes unidades: Carrapichel, Igara, Andorinha e Tijuaçu, além do distrito-sede. 

Gentílico: bonfinense 

Formação administrativa 

Distrito criado com a denominação de Vila Nova da Rainha, pelo alvará de 12-12-1812. Elevado á categoria de vila com a denominação de Vila Nova da Rainha, por carta régia de 01-07-1797. Sede na antiga povoação de Vila Nova da Rainha. Instalada em 01-10-1799. 

Elevado à condição de cidade com a denominação de Bonfim, pela lei provincial nº 2499, de 28-05-1885. Pela lei municipal nº 11, de 23-10-1893, é criado o distrito de Jaguarari e anexado ao município de Bonfim (ex-Vila Nova da Rainha). 

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 2 distritos: Bonfim e Jaguarari. Assim permanecendo nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1-IX-1920. 

Pela lei estadual nº 1905, de 06-08-1926, desmembra do município de Bonfim o distrito de 
Jaguararí. Elevado à categoria de município. Pelo decreto estadual nº 8299, de 08-02-1933, é criado o distrito de Carrapichel e anexado ao município de Bonfim. 

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 3 
distritos: Bonfim, Catuní e Carrapichel. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. 

Pelo decreto estadual nº 11089, de 30-11-1938, o distrito de Catuní, foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito sede do município de Jaguarari. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 2 distritos: Bonfim e Carrapichel. 

Pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo decreto estadual nº 12978, de 01-06-1944, o município de Bonfim tomou a denominação de Senhor do Bonfim. 

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 2 distritos: Senhor do Bonfim (ex-Bonfim) e Carrapichel. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1950. Pela lei estadual nº 628, de 30-12-1953, foram criados os distritos de Andorinha, Igara e Tijuaçu (ex-povoados) e anexados ao município de Senhor do Bonfim. 

Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído de 5 distritos: 

Senhor do Bonfim, Andorinha, Carrapichel, Igara e Tijuaçu. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988. Pela lei estadual nº 5026, 13-06-1989, desmembra do município de Senhor do Bonfim o distrito de Andorinha. Elevado à categoria de município. 

Em divisão territorial datada de 1993, o município é constituído de 4 distritos: Senhor do Bonfim, Carrapichel, Igara e Tijuaçu. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007. 

Alterações toponímicas municipais 

Vila Nova da Rainha para Bonfim, alterado pela lei provincial nº 2499, de 28-05-1885. Bonfim para Senhor do Bonfim, alterado pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo decreto estadual nº 12978, de 01-06-1944.

Créditos: Texto extraído da Biblioteca digital do IBGE.  Autor não revelado. Revisado por Luis Leal Filho, autor da foto que ilustra o histórico.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Histórico de Campo Formoso, Bahia


Campo Formoso - Bahia - BA 

Histórico 


A região era primitivamente habitada pelos índios pataxós. No século XVII, chegaram os jesuítas ao aldeamento indígena. Formou-se o povoado Santo  Antônio da Jacobina e, em 1682, criou-se a freguesia. 
       
Por volta de 1720, com a emancipação do município de Jacobina com o mesmo topônimo, a freguesia teve seu nome mudado para Freguesia Velha de Santo Antônio de Jacobina. Elevou-se a Vila, em 1880, com o nome de Vila do Campo Formoso.

O Município distinguiu-se na Companha de Canudos, em 1897, como um dos principais fornecedores de víveres para os combatentes. 

Pelo Decreto Estadual nº 10.724, de 30 de março de 1938, a Sede Municipal elevou-se a cidade, com a denominação de Campo Formoso. 

Segundo historiadores, o topônimo é uma adoção do nome do riacho existente no território do Município. 

Os nativos de Campo Formoso são chamados campoformosenses. Gentílico: campoformosense .

Formação Administrativa :

Freguesia criada com a denominação de Velha de Santo Antônio, pela lei provincial nº 67, de 01-06-1838.    

 Elevada à categoria de vila com a denominação de Campo Formoso, pela lei provincial nº 2051, de 28-07-1880, desmembrado de Vila Nova da Rainha. Sede na antiga Freguesia de Velha de Santo Antônio. Constituído do distrito sede. Instalada em 22-07-1883.  

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, a vila é constituída do distrito sede.  

Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1-IX-1920, a vila é constituída de 3 distritos: Campo Formoso, Pindobassú e Santa Efigênia. 
            
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, a vila é constituída de 2 distritos: Campo Formoso e Pindobassú. Não figurando o distrito de Santa Efigênia. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. 

Elevado á condição de cidade com a denominação de Campo Formoso, pelo decreto estadual nº 10724, de 30-03-1938. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 2  distritos: Campo Formoso e Pindobaçu.  

Pelo decreto estadual nº 141, de 31-12-1943, confirmado pelo decreto estadual nº 12978, de 01-06-1944, o distrito de Pindobassú passou a grafar Pindobaçu.  

Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município é constituído de 2 distritos: Campo Formoso e Pindobaçu (ex-Pindobassú). 

Pela lei estadual nº 542, de 04-03-1953, desmembra do município de Campo Formoso o distrito  de Pindobaçu. Elevado à categoria de município.  

Pela lei estadual nº 628, de 30-12-1953, foram criados os distritos de Itinga da Serra (ex-povoado de Itinga) e Delfino (ex-povoado). 
  
Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o município é constituído de 3 distritos: Campo Formoso, Delfino e Itinga da Serra.   

 Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. Pela lei estadual nº 1699, de 05-07-1962, desmembra do município de Campo Formoso o distrito de Itinga da Serra. Elevado à categoria de município com a denominação de Antônio Gonçalves.  

Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 2 distritos: Campo Formoso e Delfino.  Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-I-1979.

Pela lei estadual nº 4024, de 13-05-1982, é criado o distrito de Umburanas e anexado ao município de Campo Formoso.    
             
Em divisão territorial datada de 1-VII-1983, o município é constituído de 3 distritos: Campo Formoso, Delfino e Umburanas.  Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988.  

Pela lei estadual nº 4844, de 24-02-1989, desmembra do município de Campo Formoso os distrito de Umburanas e Delfino para constituir o novo município de Umburanas. 

Em divisão territorial datada de 1991, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2001.

Pela lei nº 1, de 17-02-2003, é criado distrito de Laje dos Negros e anexado ao município de Campo Formoso.  

Em divisão territorial datada de 2005,  o município é constituído de 2 distritos: Campo Formosos e Laje dos Negros. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.   

Alteração toponímica distrital : 
Velha de Santo Antônio para Campo Formoso, alterado pela provincial nº 2051, de 28-07-1880. 

FONTE: IBGE  

Vargem de Dentro, Campo Formoso



Foto de Tibor Jablonsky - Canal de irrigação



Nosso objetivo é oferecer mais informações, para eventuais pesquisadores, dedicados ao estudo sobre cidades como Senhor do Bonfim e Campo Formoso, no Estado da Bahia


Crédito e informação: Biblioteca Digital - IBGE:
Informações sobre a fotografia
Registro:
12126
Título:
Canal de irrigação no Lugarejo de Vargem de Dentro na cidade de Campo Formoso (BA)
Exemplares:
01
Fotógrafo:
Tibor Jablonsky
Descrição Física:
1 fot. : neg., p&b.
Visualização:
BA12126.jpg
Assunto(s):
1. Vargem de Dentro (BA)
2. Bahia
3. Irrigação
4. Campo Formoso (BA)

domingo, 30 de setembro de 2012

O 'Adeus' de Tereza , Castro Alves

 
 A vez primeira que eu fitei Tereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...
E ela, corando, murmurou-me: "adeus."
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me "adeus!"
Passaram tempos... sec'los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — "Voltarei!... descansa!..."
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"


Crédito: Rua da Poesia
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