sexta-feira, 15 de julho de 2011

Orgulho Ferido



Agora que vocês terminaram, você quer mostrar que era melhor, que era capaz e que aquela pessoa não prestava. Porque estava com ela então?

[texto unisex]

Você foi terminado. Pessoas orgulhosas demais, nunca irão aceitar essa condição. Você não admite perder e isso é fato, porém está diante de uma situação onde você saiu como "perdedor" e agora quer virar a mesa. Em geral, todos nós temos orgulho, alguns não se importam tanto com o que os outros irão pensar, mas outros, fariam qualquer coisa pra  deixar bem claro que não foram nada afetados por uma mera separação.
O problema, é que ao fazer isso, você acaba deixando mais que claro que é apenas orgulho ferido, e expõe seu caráter de forma ridícula.

Fui Eu!

O orgulhoso irá mentir. Mas ele irá mentir pra si mesmo antes de mais nada. Ele fará todo mundo acreditar que foi ele quem terminou o relacionamento, sem querer deixar transparecer que está abalado com isso. É claro, bem mais abalado com certeza do que o outro, já que na verdade, quem deu o golpe de misericórdia na relação, não deixando mais rastros de que vocês voltariam, foi a outra pessoa.

Você irá se gabar dizendo que não sente mais nada, e de tanto dizer isso, os outros irão realmente acreditar, e até uma parte de você. Quando alguém insinuar se você ainda gosta daquela pessoa, você irá negar no ato com bastante ódio. Grande sinal de que é tudo o contrário.

Perdi Meu Tempo!

A outra afirmação do orgulhoso, é sem dúvida alguma dizer que aquele relacionamento foi uma droga, e que ele perdeu totalmente seu tempo do lado daquela pessoa. O orgulhoso vai fingir na frente dos amigos, que precisa recuperar o que perdeu, e pode até arranjar alguém pra passar o tempo e tentar esquecer o ex, mas de fato, ele ficará incomodado porque não funcionará, e certamente irá se revoltar toda vez que ele se deparar com o ex e seu novo par. Quem sabe sua primeira reação é dar beijos e abraços no seu "passatempo", tentando mostrar que já superou tudo, quando na verdade, daria tudo pra estar com ele?

Sou Muito Mais Eu!

É, essa é a pior coisa que você pode dizer para seus amigos quando termina com alguém. Também não adianta colocar comunidades no seu Orkut, de "sou muito mais eu", porque vai dar na cara de que você está abalado, e embora seus amigos não digam pra você, certamente pelas costas eles irão comentar e pensar nisso. Pra te ajudar, seus amigos certamente irão dizer que por exemplo, a nova namorada do seu ex é horrorosa e sem graça, e que você é muito melhor e dava de dez a zero! Pura mentira...

Mesmo que seja um pouquinho verdade,  mesmo que você tenha mais beleza, vai estar na cara que é ciúmes e orgulho ferido seu. Você pode inventar mil defeitos e até saber tudo sobre o novo (ou  nova) namorado(a) da sua ex, contar defeitos, mas isso irá demonstrar ainda mais, que você perdeu seu tempo revirando a vida dele, procurando por comparações, o que deixa mais lógico que seu interesse pela ex é real. Como diz a música: Procuro evitar comparações, entre flores e declarações! E não ficar remoendo isso enquanto puder.

Sofri Nas Mãos Dele!

O que você sai fazendo depois que leva um fora, é tentar deixar claro pra todo mundo, o quanto você sofreu nas mãos do seu namorado, todas as coisas ruins que ele fez com você, e repete isso dezenas de vezes onde for.
Quando não se quer mais saber de um ex de verdade, tudo o que você faz é ignorar a existência dessa pessoa, e quando o assunto surge, você é a primeira pessoa a pedir que não se fale mais nisso. Mas quando temos alguém com orgulho ferido e paixão embutida, essa pessoa começa a difamar o quanto puder o ex, e falar tudo de ruim que aconteceu na vida de vocês, fazendo com que os outros pensem que ele era um monstro, e de tantos defeitos que ele tem, você simplesmente ignora os seus e faz parecer que ele era a pior pessoa do mundo e você uma santa penando nas mãos dele.

O Que Fazer?

Resumindo, vamos ver o que não devemos e o que devemos fazer quando terminamos um namoro, e não queremos mostrar que estamos com orgulho ferido, nem que estamos cuspindo no prato que comemos:

  •  Esqueça se ela não te ama
  • Não minta sobre quem terminou a relação
  • Não culpe o outro por todos os erros
  • Não fale mal da nova namorada ou coisa assim, só demonstra o contrário
  • Não fique apontando só os erros dele
  • Não fique enchendo suas redes sociais, msn, de comunidades e frases agressivas - é orgulho ferido
  • Não difame, isso é cuspir no prato que comeu. Seja agora o que você era com ele antes.
  • Não trate de forma diferente, só porque vocês dois não deram certo. É falta de caráter
Crédito Integral: UM OMBRO AMIGO

MANIPULAÇÃO



MANIPULAÇÃO

O   pólo negativo da “conscientização” é a manipulação. A pessoa é “sujeito” e deve ser tratada como “sujeito”. Mas a pessoa pode ser convertida e tratada como “objeto”. Este é um dos maiores riscos que corre.
Apresentamos aqui uma reflexão sobre o fato da manipulação humana. Embora o tema não tenha ainda encontrado esquemas claros de desenvolvimento, não podemos deixar de traduzir numa linguagem de reflexão as pré-compreensões que o homem de hoje tem com relação ao fenômeno humano da manipulação.
Deixaremos de tratar os aspectos morais da manipulação no campo da biologia humana, por exemplo. Fixar-nos-emos no fenômeno global da manipulação.

A realidade da manipulação não foi ainda submetida a uma reflexão sistematizada. Rahner constata o fato sintomático de que este termo não entrou nos dicionários das ciências políticas e sociais.
Procurando esclarecer conceitualmente a realidade da manipulação humana, faremos em seguida um conjunto de aproximações parciais. Para isso, teremos em conta as contribuições dos autores que nos últimos anos refletiram sobre essa realidade.

1. Conceito de manipulação

a) O uso do termo “manipulação”

A expressão manipulação “do homem” é ambígua e imprecisa. Trata-se de uma palavra tópica, com todas as características que isso comporta: imprecisão, carga emotiva, qualidade sugestiva mais que esclarecedora etc. O uso que dela é feito nos fala de um espectro grande de significados, que vão desde o campo das ciências naturais ao da critica social, para terminar no âmbito da pura polêmica.
Os diversos empregos que se costumam fazer do termo “manipulação” dependem dos seguintes fatores e interesses:
a) Um primeiro fator de diversificação nos é proporcionado pela variedade de campos em que foi e é empregada: na práxis médico-cirúrgica, nas experiências físicas e químicas, no influxo bioquímico sobre os genes, na experimentação sociológica científica (manipulação das variáveis dadas – pesquisas eleitorais ou de opinião, por exemplo), na crítica social etc. Esta primeira constatação fala-nos de um deslize do uso do conceito manipulação do campo das ciências naturais para o da crítica social a terminar no âmbito da pura polêmica.
b) Dentro do âmbito da crítica social, o conceito de manipulação tem fronteiras pouco definidas. Com efeito, no plano descritivo se situa freqüentemente em equivalência a retórica, arte de persuadir ou doutrinar, inabilitação, repressão, de-sublimação, tudo isso para o âmbito de conseqüências referidas às pessoas; e com a publicidade, a propaganda, a unificação, a exploração ou a demagogia, para o âmbito das conseqüências preferentemente relativas à sociedade. Como demonstra esta lista, certamente não completa, de conceitos estreitamente aproximados e não claramente delimitados entre si, o conceito de manipulação abarca praticamente todo o conjunto de técnicas de influência social -  excluída unicamente a utilização da força bruta -, sem nos permitir reconhecer uma diferença específica entre os conceitos apontados, e que torna indispensável para uma definição válida.

 b) Sentido etimológico

A partir do estudo do tema nas obras clássicas de Forcellini e Du Cange e nos dicionários etimológicos das línguas modernas, Ferrero chega às seguintes conclusões sobre a acepção etimológica da manipulação: “O termo ‘manipulação’ e seus derivados provêm em todas as línguas ocidentais (alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e português), do latim manipulus, manipulare, manipulatio, manipulator, compostos por sua vez das raízes latinas manus (mão) e pleo (encher). Por isso seu significado original está relacionado com a idéia daquilo que se leva na mão ou do que pode ser contido na mão. Era a própria idéia de manipulus no latim decadente falando de ervas, flores, sementes, substâncias químicas ou metálicas etc., sobretudo com relação à alquimia, à farmácia, à arte, à ourivesaria ou à cerâmica, até converter-se em medida. A ação correspondente, manipulare, manipulatio, se referia, paralelamente, à ação e à arte de combinar ou manejar esses elementos para obter um resultado especial, distinto do que se podia esperar deles abandonados a si mesmos. Daqui a idéia de tratamento, elaboração, manejo e transformação que o homem fazia com suas próprias mãos do corpo humano (medicina e cirurgia), dos produtos químicos (química e farmácia), das terras e metais (arte, cerâmica e ourivesaria). É o colorido que ainda conserva quando se trata do significado metafórico: um tratamento e manejo dos materiais manipulados e de suas possibilidades para se obter um resultado concreto partindo de uma alteração da natureza ou modo de ser desses elementos, aproveitando suas propriedades, suas qualidades, as energias, as leis intrínsecas de cada um. O manipulador, no sentido etimológico, obtém resultados maravilhosamente distintos daqueles que são próprios dos ingredientes naturais, mas sem os alterar previamente. Por isso se supõe nele um conhecimento, uma ciência e uma arte das propriedades e das leis a esses elementos sujeitos, sendo tudo isso desconhecido, secreto a todos aqueles que de qualquer modo estão ou possam estar interessados pelo resultado da manipulação. Esta ciência e este segredo são a base da ganância, do prestígio e da eficácia da manipulação.

c) Definição conceitual

Procurando definir o conceito de manipulação, temos que distingui-lo e não confundi-lo com outros conceitos bastante parecidos. A manipulação humana, tal como aqui é entendida não se identifica com:
- violação aberta e deslavada da liberdade do homem (desde a escravidão propriamente dita até as novas formas de servidão do homem);
- violências físicas ou morais infligidas sobre outras pessoas, que as padecem e agüentam, porque não podem desfazer-se delas (por exemplo, injustiças no mundo do trabalho, opressão no setor político, prática de tortura para arrancar confissões, dinheiro etc.);
- formas de desumanização, realizadas pelo próprio sujeito que as padece ou por outro agente alheio a ele.  (continue lendo o restante do artigo)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Racionalização vista por um leigo


"No geral, há duas razões para tudo o que fazemos: a razão alegada e a razão real". Isto não é coisa de adicto, mas da vida, do ser humano, de cada um de nós. A racionalização é um dos mecanismos de defesa do ego mais preponderante dentre os demais. Quando racionalizamos nos tornamos desonestos, enganadores, com o senso de integridade corrompido. É muito comum encontrarmos justificativas para nossas falhas, nossas ações, dai transformamos "nossas preferências emocionais em conclusões racionais". Quando digo que vou para minha terra ver minha irmã em véspera do são joão, na verdade estou indo mesmo passar o são joão em casa dela, porque é uma festa que eu gosto. Do mesmo modo que o sujeito que toma vinho alegando ser o mesmo ótimo para o coração. Na verdade bebe porque gosta da bebida. Ninguém toma cerveja por conta do malte, mas porque gosta de beber, verdade seja dita. Quando racionalizo utilizo a inteligência para negar a verdade, transformo desejos em fatos. A racionalização gera desonestidade consigo mesmo e, se sou desonesto comigo mesmo porque não serei com o próximo? Perdemos nossa autenticidade através da sabotagem. Quando racionalizo sou insincero. A necessidade de racionalizar busca fazer com que uma verdade deixe de ser verdade e o mal se transforme no bem. Infelizmente a racionalização é largamente empregada nas mais diversas situações. Ela se faz presente nos relacionamentos, ocorre com muita gente e não apenas com adictos, mas também pelos co-dependente. Cabe a quem se propõe agir de maneira honesta não mais se valer de um recurso que nos torna desonestos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Resenha crítica do filme Bicho de 7 cabeças, Beatriz Clemente



Uma sinopse muito resumida e humilde do filme Bicho de 7 cabeças: Neto, personagem de Rodrigo Santoro, vive o drama de ter sido internado em um hospital psiquiátrico por seu pai, que o julga e o rejeita pelo seu possível vício em maconha. Entre internações e tentativas de se reestabelecer e reintegrar à sociedade, Neto passa por diversas situações, convivendo no seu dia-a-dia com o preconceito, os medos, as inseguraças e as sequelas causadas pelos intensos e absurdos tratamentos utilizados na tentativa de ser “salvo”.

“O buraco do espelho está fechado, agora eu tenho que ficar aqui. Com um olho aberto, o outro acordado, no lado de lá onde eu caí.” - O espelho citado no trecho, simboliza a busca dos internos pelo seu próprio eu. Excluídos e marginalizados, sentem uma intensa dificuldade de se aceitar, não conseguem se enxergar. Mesmo havendo a possibilidade de se enxergar (olho acordado) e não apenas se ver (olho aberto), algo os prende a uma realidade que não lhes pertence. Essa realidade, vivida no hospital, é tratada como o lado de lá, pois ao mesmo tempo que os incluem em um contexto, não lhes permite nenhum tipo de escolha, nem liberdade, nem direito como indivíduo, diferente daquele ideal de sociedade que encontramos na maioria dos países que acreditam na democracia atualmente. “Pro lado de cá, não tem acesso, mesmo que me chamem pelo nome, mesmo que admitam meu regresso. Toda vez que eu vou, a porta some, a janela some na parede. A palavra, de água, se dissolve…” – Pro lado de cá, representando a sociedade livre por detrás dos muros do hospital, não dá espaço para alguém que por algum motivo, algum dia, foi excluído. Todos aqueles que não se encaixam aos moldes daquela mesma sociedade democrática que deveria prezar pela liberdade, pelo culto às diferenças e pela justiça, e que, a partir do momento em que determina moldes, deixam de praticar tudo aquilo que a conduziu ao seu estado atual, são automaticamente marginalizados, caem facilmente no esquecimento. Assim como tudo, as relações humanas, o respeito pelo outro, o respeito pelo espaço do outro, saíram de moda muito rapidamente, se tornaram “cafona”, descartáveis. Em uma cena no hospital psquiátrico, um “velho louco” entrega a Neto um gorro e diz: “É pra agasalhar aqui.” , apontando para a cabeça. A intenção do velho não é simplesmente proteger o jovem de um resfriado ou algo do tipo, mas sim proteger a cabeça dele, a mente, os pensamentos e os sonhos, mantê-lo fértil e são, protegê-lo não só daquela realidade enlouquecedora vivida naquele hospital, ou dos “loucos”que convivem com eles, mas também da nossa sociedade, cruel, massante, que não permite o erro e nem aceita o pedido de perdão, mas que julga, aponta o dedo e despreza quem mais deveria ter o suporte para ser reinserido. Somos parte de um grande todo, somos iguais, temos qualidades, erramos e exercendo aquilo que seria o ideal de direito, liberdade e justiça, poderíamos viver em um lugar onde não precisaríamos fingir tanto.Escrito por: Beatriz Clemente

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Morris Langlo West, As sandálias do Pescador





Custa tanto ser uma pessoa plena, que muito poucos são aqueles que têm a luz ou a coragem de pagar o preço...


É preciso abandonar por completo a busca da segurança e correr o risco de viver com os dois braços.


É preciso abraçar o mundo como um amante. É preciso aceitar a dor como condição da existência.
É preciso cortejar a dúvida e a escravidão como preço do conhecimento.


É preciso ter uma vontade obstinada no conflito, mas também uma capacidade de aceitação total de cada consequência do viver e do morrer.


Morris Langlo West


Crédito: Blogue dos Poetas

domingo, 10 de julho de 2011

Nosso Tempo, Carlos Drummond de Andrade


Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir

Sobre a Inveja




A inveja, um dos sete pecados capitais, é o desejo por atributos, posses, status ou habilidades de outra pessoa. Pode também ser definida como “o deslocamento da energia do potencial de determinado indivíduo para a exacerbada preocupação com a satisfação e prazer de outra pessoa, geralmente íntima do sujeito em questão”. Todos nós sentimos naturalmente inveja (o que nos consola profundamente), seja duma forma mais ou menos positiva. Mas quantas vezes na nossa vida somos vítimas da inveja desenfreada de pessoas com quem somos obrigados a conviver?

Pois bem, o facto é que a inveja existe e está presente em todas as esferas do relacionamento humano, manifestando-se em todas as vertentes do nosso quotidiano. Entre amigos, colegas ou até familiares, são frequentes as invejas motivadas por comparações desfavoráveis do status de uma pessoa em relação à outra. Aliada ao ciúme, à mágoa, à falta de auto-estima ou à falta de iniciativa em conseguir obter o que os vitoriosos obtêm, a inveja pode, contudo, ser positiva: quando tomamos alguém bem sucedido como referência para atingirmos o que ele conseguiu atingir, rumo ao sucesso. Neste caso, é necessária uma auto-estima que te torne confiante nas tuas capacidades. Por outro lado, o invejoso, sendo uma pessoa frágil, rende-se à sua própria insignificância provocando, antes disso, graves prejuízos na vida do invejado. A crítica é um exemplo, sendo das máscaras da inveja a mais subtil e, ao mesmo tempo, a mais evidente. Isto porque, sempre que caluniamos alguém (ou o criticamos destrutivamente) será porque nos sentimos inferiores a essa pessoa. Daí essa necessidade em falar mal da pessoa que tanto invejamos.

"Num certo dia uma cobra voraz desejava a todo custo abocanhar o inofensivo vagalume. Ao que o último lhe pergunta: "Serpente, tu que és tão poderosa porque me desejas aniquilar?". A serpente respondeu-lhe: "O teu brilho fascina-me e como eu não o posso ter, ninguém mais o terá. Por isso quero-te devorar."

Mas porque não viver bem com o sucesso dos outros? Habitualmente, a inveja é formada a partir do momento em que as qualidades do outro são comparadas, faltando uma avaliação do meu próprio potencial. Estes sentimentos de grande frustração e de inferioridade são gerados pelo facto de a pessoa não ser capaz de realizar ações minimamente úteis para si e para os outros, consolidando-se assim o complexo de inferioridade relativamente è pessoa invejada. A comparação que fazemos entre nós e o outro pode ser geral - quando comparamos as qualidades psicológicas, morais, sociais ou espirituais - ou específica - quando comparamos as posses materiais, como a casa, o carro, a roupa, o dinheiro ou o porte físico.

Psicólogos afirmam que “talvez este processo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são frequentes”A sociedade partilha também responsabilidades neste processo: desde muito cedo somos comparados com aquela que é mais bonita ou com aquele que tira boas notas. Esse tipo de críticas comparativas geram um sentimento de humilhação que nos faz sentir incapazes de obter o que o outro tem. Na escola, na família ou na sociedade em geral a competição baseada na ideia de que o outro não pode ser melhor do que eu acaba por gerar insatisfação comigo próprio, fazendo crescer na sociedade um sentimento geral de desamor social.

A inveja não é mais do que um sentimento de inutilidade que gera uma revolta por não sermos como os outros são. Quantas vezes não reparamos o tom de desinteresse e incómodo por parte das pessoas quando falamos em algo positivo que nos aconteceu? E quantas vezes contamos uma tragédia que se passou com alguém que, pelo contrário, desperta o interesse de todos?

Cada um tem as suas potencialidades e peculiaridades que me podem tornar vitorioso. Como tal, é na auto-comparação que eu reconheço as minhas próprias capacidades. É esta procura de mim mesmo que permite a valorização pessoal.

Assim, quem sai mais prejudicado da inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a auto-estima, destrói o crescimento individual, destruindo a sua auto-aceitação porque não produz mudanças favoráveis ao desenvolvimento do invejoso, enquanto pessoa. Contaminado pelo ódio, o invejoso aproveita-se da projeção, tornando más as pessoas que são boas e, por não conseguir obter o que o invejado consegue, faz com que as qualidades do indivíduo invejado fiquem escondidas, por não as querer perceber perante os outros, numa tentativa de raiva e tristeza por tudo o que ele tem e conquista. Frustrado, e por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, o invejoso coloca todo o tipo de sentimentos maus naquele que é o objecto da sua inveja. Posto isto, e sendo o efeito mais devastador da inveja, ela é fator de bloqueio de qualquer potencial criativo.

"Só haveria algo positivo na inveja se pudéssemos reproduzir fielmente o modelo de vida de alguém realmente criativo." 
António Carlos (psicólogo)


OBSERVAÇÃO: Há um excelente trabalho sobre a inveja na Revista Isto É, caso deseje pesquisar mais sobre o tema, clique aqui



FONTES:

O Olhar da Psicologia
http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/inveja/inveja.html



sábado, 9 de julho de 2011

Agostinho da Silva

Combater a Opressão
É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão. 
Agostinho da Silva, in 'Considerações'

Clarice Lispector

“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.”          

Primeiro as primeiras coisas - FICÇÃO


I
Você certamente não sabe, não conhece, ignora o significado da palavra liberdade; Certamente não sabe o significado da palavra vida. Há um liame que nos liga e uma grade que nos separa. Ficamos diferentes e indiferentes em nossas atitudes egocentristas. Existe, entre nós, cercas de arames farpados e um só caminho, por onde você transita e passa, livre; estamos em campos opostos e o que nos separa, além dos arames farpados é seu ser social, submetido às loucuras alheias,determinando a consciência do ser, de um ser social frio, distante, esquecido das boas e saudáveis lembranças. O que fez e o que fizeram das suas boas recordações? Sua consciência criou um muro que nos aparta, que nos divide. Espero que este deslize seu não o conduza para o campo da direita, onde seu irmão tem estreitos nós peculiares a ele, que é um "sem noção". Refiro-me a velha direita, com seus "professores de educação moral e cívica" e que utiliza métodos pouco recomendáveis, iguais aos que empregaram comigo, quando minha vida foi entregue a vocês e acabou sendo jogada no inferno, onde filhinho geme e mamãe não vê!

Existe em mim um emudecimento nosocomial causado pela dor, por sentimentos amargos provocados pela lembrança de fatos tão desagradáveis,ainda inconcebíveis. Sinto-me abatido, perplexo, sem querer acreditar que seu comportamento pudesse ser conduzido e contribuído para que o domínio da razão cedesse espaço à insanidade dos seus acompanhantes e daquele grupo de farsantes, exploradores da boa fé dos desesperados. Nada posso dizer sobre aquele instante final, referente a sua genitora, que me considerava um sepultado vivo, pois nem apareceu conforme havia prometido. E imaginar que você acreditou que mediante reclusão, confinamento, grades, alambrado, humilhação, castigos e tortura um ser humano doente, pudesse solucionar qualquer questão de saúde, me deprimo. É neste terreno que sua razão separa-se da minha. Há questões, na qual me incluo, que merecem um tratamento diferenciado e compreendido com um novo olhar, o olhar da compreensão humana, próprio do cidadão civilizado, não aquele olhar dos tempos inquisitoriais.

Quanta cultura jogada fora, cuspida, lançada no lixo, em instantes de loucura, de incivilidade, de ausência de amor, carinho, afeição, doçura, praticados até a hora de sair do carro, quando, deseducadamente, sequer despediu-se do avô, carregando dentro de si tanto ódio e ressentimento, além de uma indômita frustração. Que não queira admitir esta realidade, tudo bem, mas era tempo de estar vivendo em um outro patamar de educação.

Estou reduzido a pó e do pó me reerguerei e, face a face, faremos o que propõe o "lema do psicodrama"; e você me verá com meus olhos e eu lhe verei com os seus... Nada na vida é imutável, seguro e ninguém pode dizer que amanhã não precisará de ajuda. Sou do tempo da solidariedade, do espirito fraterno, daqueles que abraçam uma causa e verifico que na estrada da vida você foi deixando de lado principios e sentimentos, mas é hora de corrigir.

O ar de São Paulo mudou sua cabeça?  o que lhe ocorreu foi uma inversão de valores que pautavam sua conduta, mas você  preferiu ser o inverso do que era, sendo sua própria negação, e você dizimou, em mim, tudo que eu imaginava de bom dentro de você. Imaginava tivesse lido Lima Barreto, pelo menos Cemitério dos Vivos, pois não estamos tão distantes do inicio do século XX, embora estejamos vivenciando o inicio do XXI, para minha maior tristeza. Lima Barreto tinha uma cabeça boa, plantada no século XIX, e escreveu este livro no começo do século 20. E ainda estamos na idade média pelos horrores que vi e senti. Entenda que seu pobre irmão, com a desmedida ambição, não é mais que um zero a esquerda, cheio de ilusões, sem previdência, sem carteira profissional, valendo-se apenas do nome e da utilização do nome do avô, que dei a ele. Sabe, muitas vezes vocês não entendem que mérito é uma coisa, prestigio e influência social é outra. Antes de você nascer, seu avô possuia amizades que imagina serem suas. Seu avô é uma legenda e seu mérito facilita que as portas se abram para você que jamais irá saber, ao certo e com profundidade, que ele foi na luta pela redemocratização do país, na resistência democrática. Você é de uma geração cética, do muro de Berlim, do show da Xuxa, dos Menudos, geração nitendo e atari, mas não ficou no senso comum. Evoluiu, cresceu, chegou a realizar sonhos e não posso dizer de você o que digo do seu irmão, que se assemelha ao burro que carrega o santo, em dia de procissão, a imaginar que todos estão a reverencia-lo. Quantos amigos do seu avô tornaram-se seus amigos também. Os meios que frequentou e que sempre fiz questão em leva-lo era o que se pode chamar, sem exagero, de classe dominante em sua terra natal e o seu leque de amizades elasteceu tanto que, com seus méritos e valor próprio, não precisou de avalista. Seu aval estava na genética e sobre isso espero que não pretenda debater, senão o tomarei como o burro em dia de procissão.
Também sou contra as drogas, mas não sou um criminoso, um bandido e, ainda que fosse, minha condição como ser humano me assegura direitos e garantias que merecem respeito. Não sei quem foi o ardiloso mentor de me levar a uma casa, que me falaram seria boa para minha saúde. Queria saber quem conseguiu aquele cárcere, dirigido por um louco fascista, cujo comportamento real, creio, só sabe quem fica detrás das grades do confinamento a que fui vergonhosamente submetido por mulher e dois filhos. Não preciso dizer que fui enganado e o que era voluntario tornou-se ilegalmente involuntário, configurando um crime, cometido por ambos os lados, irmananados através de um negócio jurídico que só me desfavoreceu. Até hoje não entendo porque escolheram São Paulo, porque me abandonar por cinco meses em um cárcere com título de clínica? Minha saúde não foi cuidada em nenhum aspecto e o o comportamento atual do seu irmão, agressivo e ameaçador, e da sua genitora, que sumiu, demonstra o quanto me queriam bem, o quanto me queriam bom, com total insensibilidade, indiferença, insensatez, desrespeito e má conduta.

Passei um mês vivendo confinado, 20 horas por dia, dentro de uma casa, apinhada de homens, todos condenados pelos familiares, protetores das respectivas saúdes e todos intimamente descrentes da instituição chamada família. Ali se produz muita mágoa, amargura, ressentimento, dor, desesperança e, até vontade de morrer, pois, como disse Danton é preferível morrer livre que viver escravo. Ali dentro éramos, também escravos, é bom saber. Naquele lugar, o trabalho forçado era chamado de laborterapia e o fiscal dos trabalhos era um fascistoide, imbecilizado, que atuava como agente repressor. Chamávamos os comandados dele, todos internos, desviados do tratamento, de GAP´s. Éramos tratados como prisioneiros, a linguagem usada era carceraria; levantávamos da cama, pela manhã, com chutes no beliche (balança mais não cai) e gritos de “VIBRANDOOOOO”. Parecia treinamento militar ianque... Era assim, tudo debaixo de grito! Adictos governando adictos, era assim!

Dia a dia eu ficava isolado, olhando, a natureza, separado dela por grades e alambrados. Observava a flora e fauna, nos raros momentos que tínhamos que esticar as pernas, fumar um cigarro, e respirar um pouco de ar, fora daquela casa, no avarandado da mesma. Fumava um cigarro atrás do outro. Olhava a pontualidade da garça, que sempre alçava voo, para determinada árvore, às cinco da tarde. perto do anoitecer ela seguia livre para local desconhecido. (continue lendo)

A Mágoa


A Mágoa e Suas Implicações
Por Odair José Comin
A complexidade que permeia as interações e relações humanas, abre brecha nas quais nascem diferentes desentendimentos. Isso, devido as precárias analises que são feitas dos discursos explícitos da comunicação direta. Quando ouvimos um relato, o que nos é repassado, dificilmente passa dos atos e conseqüências, as causas são desconhecidas, mesmo e principalmente por aquele que as verbaliza. Para quem ouve, não se pode fazer interpretações sem uma investigação mais aprofundada. As dinâmicas entre causa, ato e conseqüência, são bastante complexas e por isso a investigação é imprescindível antes de qualquer resposta ou atitude.
Quando temos uma queixa. Por exemplo: “fui despedido e estou mal”, esta é a queixa trazida e aparentemente o que lhe incomoda. Diante desta afirmação poderia se perguntar: Por que fostes despedido?  “Porque briguei com meu chefe”, ele responderia. Esta poderia ser então a causa, ou mesmo outras perguntas poderiam ser feitas para investigar mais a fundo a briga com o chefe e o que ocasionou, podendo surgir outras causas. Outra pergunta que poderia ser feita é: o que aconteceu ou acontecerá agora? “Não gosto de ficar sem trabalhar, fico angustiado e deprimido”. Esta seria a conseqüência. Outra pergunta ainda poderia ser feita: diante disso, o que mais lhe incomoda: ter brigado com o chefe, ter perdido o emprego ou ficar sem trabalhar e deprimido?” É importante que não se julgue, mesmo que a resposta pareça óbvia, é preciso que a resposta venha do próprio “queixante”, para que o diagnóstico seja mais preciso.
Às vezes para uma conseqüência, teremos sempre a mesma causa. Por exemplo, a lei da gravidade como causa da caída de objetos que são lançados para o alto, este sendo o ato em si. O ato modifica, pode-se tanto jogar uma bola ou uma pedra, ambas conseqüentemente cairão. Outras vezes, para uma conseqüência podemos ter diversas causas, ou diferentes conseqüências para a mesma causa. Uma traição pode resultar em diferentes desfechos: fim o relacionamento, um entendimento, a compreensão do traído, uma briga, sentimento de ódio, raiva, ressentimento, mágoa e outros. Causa, ato e conseqüência, também podem tornarem-se um ciclo, e um ir gerando a outra, como evaporação, nuvem e chuva, uma vai provocando a outra até que o padrão seja quebrado.
A Teia da Mágoa
A mágoa se apresenta como um desgosto, um descontentamento, que pode ser por alguém ou pela própria vida. Uma amargura que no sentido da palavra, nos deixa um gosto amargo pelas relações passadas, uma grande paixão que se tornou reduto de ódio e por conseqüência, o corrosivo sentimento de mágoa. A mágoa nos deixa demasiados pesados para nos movimentar e demasiados lentos para pensarmos com lucidez, prudência e coerência. A mágoa nos enleia em suas teias como uma traiçoeira aranha, nos abocanhando repentina e plácida. Lentamente ela nos devora, jogando seu néctar que nos corrói por dentro e nos trazendo dor e sofrimento.
Buscamos respostas e soluções para a mágoa e suas diferentes implicações, assim como a absolvição, para que a mágoa seja entendida. Claro é, que esta é uma discussão complexa, ampla e difícil. Um tema que evidentemente não será esgotado, pois a mágoa é como um rio que escore como o sangue em nossas veias, impregnada como um sentimento corrente no ser humano. A mágoa é uma forma de pensar e sentir, que causa muita dor e sofrimento. Muito mais em quem a sente, do que em seu alvo. Estar magoado é como tomar uma dose de veneno, esperando que o outro morra. Um desgosto que normalmente vem e toma o lugar de um sentimento virtuoso: o amor. Alguém que pelo lugar em que ocupa deveria ser amado, de repente, por atos talvez impensados, ou que seja premeditados, escolhidos, ou imprevisíveis, é julgado às vezes sem muita lucidez tornando-se então, reduto de mágoas. Neste caso, o mais importante não foi a intenção do outro, mas a própria reação. O outro acaba por se tornar um ser humano deplorável, imprudente e desumano. Uma amargura que contagia sentimentos e acaba deixando o gosto amargo no dia a dia, az vezes chegando a perder a graça ou o próprio sentido da vida. Perdem-se uns dos outros e não querem mais se encontrar, preferindo a solidão em detrimento do perdão e da companhia. Chegando em muitos casos a arrastar essa mágoa por toda a vida.
“Meu pai era alcoólatra e quando eu era criança me batia, depois que cresci saí de casa e nunca mais voltei, não perdôo meu pai, se quer o reconheço como tal”. Um depoimento como este pode guardar muita mágoa. A dor talvez não consiste no fato de não ter tido um pai “normal”, que dê carinho, afeto e amor a seu filho. Mas sim, na incapacidade de perdoar e a intolerância cunhada e julgada num comportamento paternal não muito sadio. De forma alguma neste texto cabe a generalização. Mas é importante saber que as pessoas dentro das suas possibilidades, procuram fazem o melhor que podem. Se não fazem ou fizeram diferente, é porque talvez não sabiam. Quem sabe este tenha sido o modelo de educação que tiveram, foi a forma que aprenderam a viver e educar, por isso, repassam achando ser a melhor ou mesmo a única forma de viver a vida e ensinar alguém a vivê-la. Não estamos defendendo pais agressivos ou alcoólatras, mas sim, tentar entender o porque de agirem de tal maneira, ou seja, as causas.
Talvez alguém chegue falando, “meu pai é violento com minha mãe, espancou a mim e minha irmã até a adolescência. Hoje minha irmã está casada com um homem que a violenta, é agressivo com ela. Eu estou namorando um cara que usa drogas e é violento também”. Bem ou mal, bom ou ruim, nossos primeiros e principais modelos de homem e mulher são nossos pais. Se tivermos poucos contatos sociais, o que aprendermos em casa, isso se torna “normal”, e é desta forma que viveremos, acharemos que realmente é assim que funciona. Neste caso, os homens realmente são violentos, todos são assim e sou atraída por eles, poderia pensar. Todavia, um belo dia descobre-se que os homens podem ser diferentes. Como ficam os sentimentos pelos pais destes indivíduos? Esta é uma das formas da mágoa nascer trazendo conseqüentemente suas implicações.
Complexidade Humana
Ao falarmos de ser humano, é impossível usar scripts, impossível ter “pacotes” pré-preparados. O mais certo é o incerto. A “armadura” que serve para um, dificilmente servirá para outro. Por isso, descartemos interpretações que tentam enquadrar o homem em moldes padronizados, e por isso, pouco lúcidas e aceitáveis. É necessário investigar as causas que regem os problemas e especialmente os problemas daquele indivíduo em particular. Fazendo por ele mesmo chegar à conclusão necessária, sem colocar palavras em sua boca, pensamento em sua mente ou sentimentos em seu corpo. Quando se conhecem as causas primeiras ou princípios pelos quais este indivíduo vive, fica mais claro seu entendimento, possibilitando decisões mais acertadas para aquele problema em si.
A questão que mais intriga e causa controvérsias, é depois de conhecidas as causas, como isso pode ou deve ser trabalhado para se chegar a uma resolução mais rápida, concreta e definitiva. Se pegarmos vários pensadores, veremos que cada um trilhará um caminho próprio. Depende de como cada um entende o ser humano, qual é seu método. Alguns irão ao passado onde tudo começou e de posse dessas informações trabalharão, outros buscarão explicações nas inter-relações do indivíduo. Aqueles que acreditam no inconsciente, talvez joguem a responsabilidade para ele. Outras ainda trabalharão no presente com orientação para o futuro, buscando a solução ou mudança. Diferentes são as formas, todas têm suas qualidades, imperfeições e limitações. Umas serão mais rápidas, outras mais lentas. Cada uma possui seus méritos. Talvez a mais assertiva será aquela que conseguir no menor espaço de tempo utilizar a realidade individual do paciente, causando o mínimo de dor e indiferença e o máximo de prazer na solução do problema.  
Absolvição da Mágoa
Para que se possa eliminar a mágoa, é necessário absolver. E para absolver é necessário que se conheçam as causas pelas quais o outro fez o que fez. Na medida em que você entende e coloca-se no lugar do “acusado”, poderá tomar sua decisão, declarando-o inocente se inocente for. Perceber que talvez o outro seja inocente por ter agido com ignorância, ou simplesmente por ter feito o melhor que poderia, pois não tinha escolhas. Entretanto, você pode descobrir que o outro agiu de má fé. Tudo foi premeditado, ele tinha escolhas, ele poderia ter feito diferente, mas não o fez, neste caso, é mais complicada a absolvição. Porém, não aceitar o erro do outro, não significa que não possa perdoa-lo, você pode sim absolve-lo mesmo sabendo que o outro agiu de má fé. É possível buscar um entendimento para que isso não se repita mais. Se for alguém que não faz mais parte do seu convívio ou mesmo que já tenha falecido, podes perdoar sem uma comunicação direta, mas sim apenas consigo mesmo, neste caso, o seu perdão é o elixir da sua cura.
Somente pode ser absolvido quem de alguma forma cometeu um erro ou é culpado. Mas isso aos olhos de quem? Neste caso, do acusador em especial. O que é natural ou certo para alguns, pode não ser para outros. Assim, se você acha que alguém errou e depois descobre as causas que levaram a fazer tal ato e que talvez no lugar dele faria o mesmo, como fica? Na verdade, você não precisaria mais absolvê-lo, haja visto, ele não ter cometido nenhum “crime”. Ai pode nascer uma implicação da absolvição, que é a caça virar-se contra o caçador, e agora quem deve ser absolvido é o acusador, por ter sido precipitado em seus julgamentos, por não ter se utilizado da prudência.
Temos então o outro lado da absolvição, para que o absolvidor não sinta culpa em inocentar o suposto acusado quando este não tem culpa, é necessário fazer uma analise de si mesmo e perceber o que o levou a fazer tal ato, para que o círculo não continue e você sinta-se culpado por agir precipitadamente, continuando a sofrer. Da mesma forma que o outro, você também fez o melhor que pode dentro do que sabia e de suas possibilidades. Se não percebeu alguns detalhes e informações importantes durante o processo de acusação, talvez tenha sido porque nunca antes alguém lhe falou, que isso era necessário ser feito. Nunca antes você aprendeu que diferentes detalhes devem ser levados em consideração, antes de tomar decisões.
É importante ir além dos atos e conseqüências. É necessário perceber as causas. Em que momentos tais atitudes foram tomadas e porque foram tomadas. Que ambiente serviu de cenário. Que outras pessoas influenciaram em tais decisões. Que tipo de educação esta pessoa teve. Quais foram as possíveis motivações e crenças que levaram a tais atos. Quais eram as possibilidades de escolhas naquele momento e se tinha mais que uma. Que ferramentas possuía. Quais eram as limitações desta pessoa. Deve-se diminuir ao máximo o risco de erro, e de arrependimento futuro, que neste caso é protelar a mágoa, para que depois venha com ainda mais força.
Se faz necessário um raciocínio encima de evidências, para que não se corra o risco de perpetuar o erro do outro, com seu próprio aval e absolvição. Porém, isso também abre brechas para discussão. Por exemplo, um pai com seus setenta anos de idade. Durante toda a sua vida ele acreditou que o lugar da mulher era na cozinha, e apenas o homem deveria sair para trabalhar. Educou a filha segundo este princípio, ser dona de casa. Entretanto, esta nunca concordou com tal idéia, quando discordava era reprimida e foi tolhida em sua liberdade, tendo que agir dentro deste princípio. Chega um momento em que a filha sai de casa achando que deveria ter feito isso há muito tempo. Acabou por criar uma seria aversão ao seu pai e uma possível mágoa.
Ao fazer uma terapia, ler um livro ou de qualquer outra forma avaliou o seu passado para entender as ações do pai. Talvez perceba que ele tinha suas razões para agir de tal forma. Poderá inocentá-lo, mas isso não fará com que ele mude de idéia e nem por isso precisa obrigá-lo a mudar. São setenta anos pensando desta forma, e nesta idade, grandes mudanças podem trazer conseqüências como a perda do sentido da vida, ou mesmo a sensação de ter vivido de forma errada. Por isso, tudo é muito relativo e deve-se usar do bom senso. Deve ser muito bem avaliado, levando-se em consideração os diversos fatores que permeiam a relação. Os fatores que sustentarão a mágoa. Os fatores que regem o suposto causador da mágoa, e em que ambiente e cultura tudo isso acontece.
O maior objetivo é que sigamos um caminho que nos liberte deste sentimento que nos faz mal. A absolvição do outro será a nossa liberdade. A partir daí temos a possibilidade de recuperar o prazer em conviver com as diferentes pessoas. Nos sentindo mais leves em nossos pensamentos e sentimentos e no julgamento do outro que começa a ter novos critérios de interpretações, de tal forma que não nos enleie mais na teia da mágoa e nos cause sofrimento. A vida clama para se bem saboreada. 
Prevenção da Mágoa
Poderíamos dizer que a mágoa é uma forma de suicídio. Viver amargurado, nostálgico pelo o que foi e não é mais. Pelo o que foi e deixou feridas profundas. Um suicídio postergado que vai matando aos poucos, nos envolve de tal forma que não conseguimos mais raciocinar de forma clara a respeito que quem nos magoou, além de gerar medo ou receio de ter novas experiências e relação. Impede um bem viver. Impede o sorriso abundante, que poderia trazer o gosto bom de viver. Impede a confiança no outro.
A mágoa é um sentimento aparentemente insignificante, porém deixa marcas gigantescas em nossa dinâmica interna. Não é uma doença, é apenas um sentimento gerado por formas específicas de pensar. Raciocinar de tal forma que o leve a crer, que aquilo que o outro fez está errado, que não deveria ter feito, que deveria ser mais sensível, pensar mais, que deveria saber o que estava fazendo, que deveria... Todavia, não foi o que aconteceu. O outro tomou atitudes que lhe mostraram uma realidade que desconhecia, inesperada. E o que fazer quando a realidade nua e crua, se apresenta em nossa porta e bate até que abramos? Não bata a porta em sua cara, receba-a como um amigo para uma conversa. Devemos extrair o máximo de proveito, o máximo de aprendizagens e pensares lúcidos, devemos nos tornar amigos, assim será mais fácil para lidar com a realidade.
Aceitar esse real não significa deixar-se ser dominado. Que o seu sentimento de raiva ou ódio tornem-se num rançoso sentimento de mágoa. Não. O outro apenas lhe mostrou uma realidade. Por sua vez agora, deve analisar o que está sendo mostrado e tirar suas próprias conclusões. Depois se faz necessário que mostres a sua escolha, frente ao que foi apresentado. Não se trata aqui de vingança, mas sim de limites. O outro vai até onde permitimos que vá. O outro entra em nossa vida pelas portas que abrimos, o outro faz conosco aquilo que permitimos que faça. Podes escolher trancar algumas portas, porque não! Podes distanciar-se, podes continuar com reservas. Podes voltar a confiar. Cada um pode fazer a própria escolha consciente, analisando as circunstâncias sem precisar alimentar em si, a mágoa.
Na medida em que nos relacionamos com as pessoas, vamos apreendendo e identificando o terreno de cada um. Percebendo onde podemos pisar ou não. Não é interessante magoar nem ser magoado. No momento em que existe um conhecimento mútuo, é importante que se crie um respeito mútuo, pautado no conhecimento que cada um tem do outro. Se houverem deslizes, deve-se fazer os questionamentos necessários à elucidação do fato. Deve-se se perguntar o que pode ser relevado, absolvido ou mesmo condenado.
Já que a mágoa é um sentimento gerado por uma forma específica de pensar em relação ao outro, para que ela não se forme, precisamos pensar diferente do modelo padrão causador da mágoa. Pensarmos de tal forma que possamos ter lucidez e entendimento com relação aos fatos. Assim, evitamos esse corrosivo sentimento, nos sentiremos mais leves, acabaremos por compreender mais o outro e a nós mesmos. 

Referências Bibliográficas 

LÓPEZ, E. M. Os quatro gigantes da alma. Rio de Janeiro, José
Olympio Editora, 1998.ARISTÓTELES, Retórica das paixões. São Paulo, Martins Fontes, 2000.
VAUVENARGUES, Das leis do espírito – Florilégio filosófico. São Paulo, Martins Fontes, 1998.
 Artigo publicado na Revista Psicologia Brasil
Nº 16 - Dezembro de 2004.
 *Odair José Comin, Psicólogo, Hipnoterapeuta e Escritor 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Superando o rancor

Resumo

Perdoar não é uma tarefa fácil para quem perdoa ou para quem precisa pedir perdão. É preciso se arrepender para entender o sentido deste ato ou então para aceitar o pedido de desculpa é preciso superar a mágoa. Confira abaixo dicas de como perdoar:

Passos

1- Datas especiais são ótimas oportunidades para perdoar e fazer as pazes;
2- Permita-se a sofrer. Sabemos o quanto é difícil ser magoado por alguém que gostamos, mas é preciso lutar contra a raiva;
3- Não diga o que vier à cabeça. Ao pronunciarmos palavras por impulso, temos grandes chances de nos arrependermos depois;
4- O tempo é sempre o melhor remédio. Afinal, dependendo da intensidade da ofensa é mais difícil superar;
5- Entenda que ninguém é perfeito e que você pode se surpreender com alguma atitude. Mas, tente se colocar no lugar da pessoa: às vezes ela pode ter passado por algum problema;
6- Dê uma segunda chance, avalie o relacionamento e lembre se este foi um dos poucos momentos de mal-estar que ocorreu;
7- A reaproximação é o instante mais importante. Esclareça os fatos para que este mal entendido não aconteça novamente.

Importante

As atitudes essenciais para qualquer reconciliação são: ouvir, de coração aberto, quem nos magoou e admitir os próprios erros. Perdoar é uma prova de que realmente não estamos mais magoados e que temos um bom sentimento pela pessoa que nos magoou.


Crédito: Bem Simples

O Ressentimento



Como curar o ressentimento?
A primeira coisa a fazer é avaliar os sentimentos estragados

A primeira coisa a fazer para curar um coração ressentido é um diagnóstico claro do problema que mais nos aflige. Como vamos tratar um problema se não conhecemos suas causas? Muitas vezes, para se chegar ao diagnóstico de alguma doença física gasta-se muito tempo, dinheiro, paciência, estudo e, acima de tudo, persistência e perseverança, tanto do médico como do paciente.

Para a cura do ressentimento, o procedimento é bastante parecido. A primeira coisa a fazer é avaliar os sentimentos estragados. Que sentimentos são esses? Que tipo de estrago têm? O que está causando o estrago? De onde provêm os sentimentos negativos? Desde quando estou me sentindo assim? Lembro-me de algum fato relacionado ao sentimento estragado? É um sentimento racional ou irracional, isto é, mais instintivo do que real? Será que não estou olhando para o problema com lentes de aumento? Ou o problema é realmente sério e perturbador?Desejo realmente a cura ou prefiro manter o sentimento estragado como estratégia para ataques ou defesas futuras?  (continue lendo)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Como conter a raiva do outro e evitar uma grande discussão?



"... acolhendo a raiva do outro com um sorriso sincero, e com tranquilidade, usando palavras adequadas, explicando o que ocorreu, podemos reduzir a ira do outro e evitar que a nossa se manifeste. Em alguns minutos, podemos ambos nos sentir aliviados ..."







A pessoa chegou já com o tom de voz aumentado e alterado e a outra sentindo-se ofendida, respondeu “à altura”. 
Naquele instante tive um clique: não precisamos reagir! Temos a possibilidade de escolher comportamentos e atitudes com resultados bastante distintos. Vejamos: Primeiro Escolhendo responder com raiva, somamos a raiva do outro à nossa, com resultados digamos... bastante explosivos! O resultado será o da soma de duas energias agressivas e com repercussões psicofísiológicas negativas que deverão durar dias. As pessoas sairão da situação com a pior impressão possível uma da outra. Dependendo do grau de envolvimento entre essas pessoas, poderá ocorrer taquicardia, tensão nervosa, dor de cabeça e até mesmo insônia. Um desequilíbrio com alto custo para ambas.Segundo Escolhendo responder “engolindo sapo”, o outro descarrega o seu ódio e quem o recebe calado, fica se sentindo péssimo, por não ter tido a coragem de se defender. Se não somos capazes de nos defender e de cuidar de nós mesmos com carinho, quem o fará? O outro sairá se achando correto e tendo feito justiça, e o desentendido não será desfeito. Quem ficou calado por sua vez ficará pensando: “Por que não falei alguma coisa?” Se sentirá ainda oprimido, e talvez deprimido pela sua falta de assertividade.Terceiro Escolhendo desdenhar, “tiro o outro do sério”, novamente, não haverá nenhum desentendimento esclarecido. O outro sairá ainda com mais raiva e achando que estava correto. Dependendo de quem desdenhamos podemos pagar um preço alto a médio prazo...Quarto Acolhendo a raiva do outro com um sorriso sincero, e com tranquilidade, usando palavras adequadas, explicando o que ocorreu, podemos reduzir a ira do outro e evitar que a nossa se manifeste. Em alguns minutos, podemos ambos nos sentir aliviados por ter esclarecido um problema e eventualmente podemos ainda nos desculpar por alguma falha. Nossos batimentos cardíacos voltam ao normal, a adrenalina deixa de provocar seu efeito e podemos ir tomar um chopp no final da tarde... só para relaxar!
Final feliz!

por Elisa Kozasa



Crédito da foto #dcvianna

LLF

              ESCOMBROS DA VERDADE

As cartas que escreveu, não são as cartas que gostaria de ter escrito. As que escreveu são cheias de dor, amarguras, ressentimentos... Retratam sentimentos machucados de um jovem inocente, que amava e por esta razão era cego.  Mas o jovem, volta e meia, tem seus insights, como quem sonha acordado. O cérebro velho cede seu espaço ao novo e em cada novo instante de compreensão e aprendizagem, ele cresce. Mas o tempo avança e somam-se às incertezas, dúvidas que vão se avolumando em um campo imaginário, que só quem o possui pode chegar a este reservatório de ilusões, para querelar consigo mesmo, em busca da razão perdida, obra da cegueira conferida pelo amor. 

A idade daquele rapaz já não é mais aquela dos primeiros tempos em que ser feliz era algo tão natural que nem se percebia o estar feliz. E da casa dos vinte ele pula para a casa dos trinta. O campo das ilusões agora é mais vasto e quanto mais dúvidas e incertezas e ausências de verdades ele percebe e sente, mais dolorida fica sua alma e o homem tropeça, tropeça mas não cai; seu senso de equilíbrio o mantém firme e aprumado e ele segue seu caminho pela vida, da vida que tem que ser vivida, não aquela sonhada nos tempos da inocência juvenil. Tal qual uma mulher posta entre o homem que deve amar e o homem que realmente ama e gostaria de ter. As sensações entre o ter e o ser entram em conflito. A vida é assim, mas há quem simplifique tudo e, por isto mesmo, os impactos dos contrastes são percebidos como amenidades. 


E o tempo carrega ele para a casa dos quarenta, quando as ilusões começam a se diluir e as incertezas começam a ganhar contornos afirmativos; as dúvidas petrificadas começam a ser tocadas por alguém que precisa melhora-las, burilando-as, para que cessem os incômodos da alma. 

Vem o tempo e o leva a casa dos cinquenta, quando ele já perdeu toda inocência e sem esta, dentro dele quebra-se o fino cristal, que sintetiza seu amor pela vida, tudo dentro de um frágil coração de menino adulto; 


Seus sonhos se desfazem e a arca das boas recordações se parte, esmigalhando o coração...


Ele olha para trás e nada vê, salvo uma infinita tangente percorrida, chamada vida.

E o homem segue sua sina como fardo de tristeza aceita. 


As cartas, que importam as cartas se o que escreveu era o que o moía por dentro? 

O que restou foram escombros de verdades, como uma cidade destruída pela insanidade da guerra. 

O jovem que chegou a casa dos cinquenta morreu por dentro, mataram-lhe toda a inocência e as cartas que não escreveu eram as que tinham real valor, só Carolina não viu.
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